Mudança no câmbio na China pode ajudar exportações do Brasil

A valorização da moeda da China, o yuan, pode favorecer as exportações brasileiras, na medida em que os produtos chineses ficam mais caros e os brasileiros, mais competitivos. No entanto, a medida provocou aumento dos juros nos Estados Unidos, o que eleva o custo da captação de recursos no exterior para o Brasil.No curto prazo, porém, esses dois impactos são pequenos enquanto a valorização da moeda chinesa ficar restrita aos 2,3% registrados nesta quinta-feira.A expectativa de especialistas é de que o governo da China vai adotar novas valorizações do yuan, movimento que deverá ser seguido por outras moedas da Ásia, como aconteceu com o ringgit da Malásia nesta quinta-feira."Não vai ser um impacto grande sobre a economia brasileira, porque a revalorização da moeda na China, na Malásia e possivelmente de outras moedas na Ásia está sendo feita de maneira bem gradual", disse Arturo Porzecanski, professor da Universidade de Nova York.Capital Já o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, acha que a curto prazo não haverá impacto sobre as exportações. "Ainda é cedo, mas a gente sabe que num primeiro momento seria o reflexo do custo do financiamento, do custo do capital, que é negativo. Sob aspecto comercial é praticamente nulo. Pode ocorrer no futuro se a valorização se acentuar, mas por enquanto, são apenas 2%, não tem reflexo praticamente nenhum", disse.Futuro A maior parte dos analistas do mercado financeiro internacional esperavam uma valorização entre 5% e 10% do yuan. Agora, a maioria acredita que haverá novas revalorizações. "Espero que esse seja o primeiro passo de um grande caminho de revalorizações da moeda chinesa e também de outras moedas dos países da Ásia", disse Porzecanski.Para Castro, o impacto da valorização mais acentuada da moeda chinesa sobre as exportações brasileiras para a China será pequeno, porque a maior parte delas são commodities que, segundo ele, não sofrem efeitos diretos do câmbio. Mas o Brasil ganha com vendas para outros países, na sua avaliação.

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