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Mudança no financiamento da dívida tem sentido, diz ex-diretor do BC

O ex-diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, sócio-diretor da Mauá Investimentos, elogiou nesta terça-feira a mudança na estratégia de financiamento da dívida externa no biênio de 2007-2008, conforme anunciou esta manhã o Tesouro Nacional. A partir de agora, o Tesouro Nacional não vai mais anunciar uma meta específica de captação em moeda estrangeira no mercado internacional. "Eu acho que tem sentido. Na verdade, esse anúncio é conseqüência de um trabalho que tem sido feito pelo Tesouro e pelo Banco Central de maneira primorosa. Na verdade, o Brasil tinha uma dívida externa pública grande e um volume de rolagem bem razoável. O que aconteceu nos últimos anos foi limpeza de todo esse processo, diminuindo as amortizações anuais, melhorando muito nossa situação externa, a ponto de hoje nós termos mais ativos do que passivos em dólar", analisou o ex-diretor do BC.Segundo ele, a mudança visa melhorar o perfil da dívida externa brasileira. Ele lembrou que hoje o País já não tem mais a mesma necessidade de rolagem anual e que as emissões públicas devem diminuir por menor necessidade. Figueiredo disse ainda que o anúncio reflete não só a preocupação de melhorar o perfil da dívida como colocar o País numa posição mais segura para os investimentos estrangeiros. "Se olharmos países de grau de investimento, eles têm situação externa bastante melhor que o Brasil. Tem sido estratégia do Tesouro e do Banco Central caminhar nessa direção", disse.Ele afirmou também que acredita que o Banco Central e Tesouro vão continuar a comprar o excedente de dólares no mercado e ressaltou que esse procedimento de comprar dólares visando também recompor as reservas do País tem sido bastante eficiente. Até o dia 17/8, as reservas brasileiras estavam em US$ 70,188 bilhões, o maior patamar alcançado pelo Brasil desde o final de junho de 1998, quando as reservas bateram em US$ 70,898 bilhões. O programa de recomposição das reservas brasileiras começou em dezembro de 2004, quando o governo dispunha de aproximadamente 53 bilhões de dólares. Graças a esse seguro, segundo Figueiredo, o Brasil conseguiu atravessar sem maiores traumas a turbulência internacional de maio, quando o dólar chegou a atingir R$ 2,40, mas depois voltou e hoje está em torno de R$ 2,13. Figueiredo evitou dizer que patamar seria ideal para o câmbio e lembrou que não necessariamente um nível bom para as exportações seja o ideal para a economia como um todo. "Ás vezes, ajudar as exportações não quer dizer que você está ajudando o País." Ele explicou que o comportamento do câmbio tem refletido o cenário internacional favorável, com forte crescimento mundial, de em torno de 5%. "Provavelmente o ambiente externo não deva continuar com essa exuberância. Há sinais muito claros, principalmente da economia americana", afirmou. Para Figueiredo, o patamar de acomodação do dólar vai depender das condições da economia global e do Brasil. "É difícil dizer até que ponto taxa de câmbio pode ir". Em suas projeções, no entanto, o dólar pode ficar mais perto de R$ 2,20 e R$ 2,25, dadas as "condições econômicas de curto e de médio prazo".PIBFigueiredo admitiu estar menos otimista que o governo e mais pessimista que o próprio mercado quando o assunto é crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). "Na nossa visão, o Brasil continua crescendo, mas num ritmo bastante moderado e na margem, a tendência é de certa desaceleração", avaliou.O governo espera que o PIB cresça mais que 4% este ano. Já o mercado projeta crescimento de 3,53%. A Mauá Investimentos previa crescimento do PIB de 3,5%. "Infelizmente reduzimos um pouco mais a nossa projeção para 3,3% (em 2006)", disse Figueiredo. Para o PIB do 2º trimestre, cujo resultado deve ser divulgado no próximo dia 31, a expectativa é de crescimento de 2% ante o 2º trimestre do ano passado, mas não descarta "alguma surpresa para baixo".O ex-diretor do BC disse que o crédito está desacelerando e que os fatores que contribuíram para o crescimento do PIB no primeiro semestre, especialmente no 1º trimestre, devem deixar de ter peso na segunda metade do ano. Entre os fatores, ele citou o cenário externo, que favoreceu o Brasil no início do ano, deve pesar negativamente com a expectativa de desaceleração global. Outros seis fatores citados que contribuíram para o PIB no início de 2006 foram a expansão fiscal, bolsa-família, reajuste do salário mínimo, aumento do funcionalismo público e setor de crédito. Ele salientou ainda que o setor agrícola também deve reduzir sua contribuição, especialmente no ano que vem.No que diz respeito aos juros, Figueiredo acredita que ainda há espaço para que eles continuem a cair, embora, a exemplo da maioria do mercado, espere uma redução no ritmo de cortes, de 0,50pp para 0,25pp, na reunião da próxima semana ou na seguinte. "A tendência é que o Banco Central seja mais cauteloso", disse. "Existe, embora não seja grande, a probabilidade de corte de 0,50 nesta reunião. Nossa visão, em termos de inflação, é uma visão muito benigna", acrescentou Figueiredo, que projeta Selic em 14% "ou abaixo" desse nível no final do ano.SpreadFigueiredo foi mais critico ao falar do spread bancário no Brasil. Na sua avaliação, o governo está na direção certa nas medidas que tem adotado para baixar o spread, mas ainda falta muito para mudar o mercado de crédito. "Temos caminhado, sem dúvida, mas o passo é muito lento", disse. "Foram poucas medidas. Poderiam ter sido muito mais medidas feitas ao longo desse caminho. Não são medidas pontuais que vão ajudar"Figueiredo foi responsável pelo projeto de spread bancário criado na gestão anterior do Banco Central, em 1999. "A questão é que estamos muito longe de chegar num ambiente tanto regulatório quanto legal que ajude muito na área de crédito", afirmou. Ele explicou que a participação do crédito no PIB do Brasil é de 28%, enquanto em outros países emergentes essa fatia é de em torno de 60%, 70% e nos países desenvolvidos chega a passar os 100%. "O mercado de crédito vai crescer, ele ainda é muito pequeno no Brasil. Temos um caminho enorme pela frente", analisou.Matéria ampliada às 15h53

Agencia Estado,

22 de agosto de 2006 | 15h12

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