Mudança no pré-sal é inoportuna, diz Bendine

Segundo presidente da Petrobrás, momento do mercado não é favorável a uma discussão sobre o fim do regime de partilha

Eduardo Rodrigues, Daniel Carvalho , O Estado de S.Paulo

22 Setembro 2015 | 02h02

BRASÍLIA - Após reunião realizada ontem com líderes da base do governo na Câmara para debater a proposta de lei do deputado Mendonça Filho (DEM-PE) que acaba com o regime de partilha na exploração de petróleo, o presidente da Petrobrás, Aldemir Bendine, disse que a companhia vai cumprir a legislação vigente, e avaliou que o momento não é oportuno para que haja uma mudança no regime de exploração.

O executivo destacou que o mercado de petróleo atualmente não é favorável para a empresa. "O preço do barril de petróleo baixo e o dólar alto são desfavoráveis para a empresa. Temos de ter cautela e continuar o processo de redução de custos", disse Bendine. "A Petrobrás sempre vai cumprir o que for determinado pelo Congresso, mas o momento não é oportuno para se discutir uma mudança no regime de exploração", acrescentou.

Bendine lembrou que atualmente existem três regimes em vigor no País: o de partilha, no qual a Petrobrás obrigatoriamente precisa participar com 30% em cada bloco de exploração; o regime de concessão e o de cessão onerosa. "Não queremos entrar em um debate sobre mudança neste momento", completou.

Sem urgência. De acordo com o líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), a base tentará derrubar a urgência já colocada para a votação do projeto na Casa. "Vamos conversar e tentar convencer os parlamentares de que essa é uma discussão que tem de ser feita mais para a frente. O presidente da Petrobrás não entrou no mérito sobre qual regime é melhor, mas nos convenceu de que não é o momento apropriado para o debate", disse.

Já o líder do PP, Eduardo da Fonte (PE), revelou que Bendine teria dito que o atual regime é melhor porque "divide entre todos os Estados". Ainda de acordo com o deputado, o presidente da estatal teria dito não ser favorável à participação de empresas estrangeiras no setor. "Ele é favorável ao atual regime. Nesse momento, com o petróleo barato, não é interessante que haja leilão, pois poderia haver poucas empresas interessadas", disse o deputado.

Na saída da reunião, ao ser abordado pelos jornalistas, Bendine disse que a licença do presidente do Conselho de Administração da empresa, Murilo Ferreira, na semana passada, ocorreu por "razões pessoais, até de saúde". Ferreira, que é o presidente executivo da mineradora Vale, se licenciou até o final de novembro. "O Murilo saiu de licença e vai voltar", frisou o presidente da Petrobrás.

Perguntado também sobre os próximos passos do programa de desinvestimento da companhia, que incluiria a venda em lotes da malha de transporte de gás da Petrobrás, quebrando assim o monopólio do segmento, Bendine limitou-se a dizer que não poderia comentar a questão, por razões legais.

 

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