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Mudança pode ajudar nas relações entre Brasil e Argentina

Empresários brasileiros mantêm boa expectativa, mas, nos bastidores, sensação é de que pouca coisa deve mudar

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2013 | 02h07

No meio empresarial brasileiro, as expectativas são de que as mudanças na equipe econômica da Argentina ajudem a melhorar as relações comerciais entre os dois países, que sempre foram conflituosas mas que, na gestão de Guillermo Moreno, secretário de Comércio Interior, ficaram mais complicadas.

Nos bastidores, contudo, poucos acreditam em mudanças significativas tendo em vista que o novo ministro da Economia, Axel Kicillof, já vinha exercendo comando em várias segmentos da economia.

O momento para os empresários brasileiros é de preocupação, principalmente nessa fase de definição de uma proposta do Mercosul para as negociações com a União Europeia.

"Nossa preocupação é que a Argentina tem saído da rota normalmente usada pela maioria dos países que adotam uma política de livre mercado", diz José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) e diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O diretor de desenvolvimento industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Abijaodi, cita medidas como a exigência de documentos que prejudicam o andamento normal das exportações, tanto de produtos acabados como para atender a produção de fábricas brasileiras no país. "Nossa expectativa é que as mudanças ajudem a melhorar as relações comerciais, até porque a Argentina certamente nos considera parceiros importantes, assim como eles são importantes para nós", afirma.

Maior previsibilidade nas negociações é o que espera o presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein. "Esperamos uma relação mais amigável no trato do fluxo comercial bilateral". Segundo ele, a obrigatoriedade da Declaração Juramentada Antecipada de Importações (DJAI) segue travando negócios.

"Em agosto, a indústria estava em plena produção para atender a demanda para o Dia das Mães, comemorado em outubro na Argentina, mas nada foi enviado", afirma Klein. Segundo ele, em toda sua gestão, Maduro não recebeu representantes do setor, nem atendia telefonemas ou respondia a e-mails.

De janeiro a setembro, as exportações do Brasil para a Argentina cresceram 10,7% em relação ao mesmo período de 2012, para US$ 14,9 bilhões. As importações aumentaram 9,7%, para US$ 12,7 bilhões, o que resultou num déficit de US$ 2,2 bilhões para o país vizinho que, segundo empresários, tem trocado diversos produtos brasileiros por asiáticos.

Itamaraty. A mudança no Ministério da Economia argentino não causou maiores impressões no Itamaraty. Já conhecido dos brasileiros, Kicillof é visto como reafirmação dos mesmos princípios econômicos que já vem sendo adotados pela Argentina. Apesar de ser então vice-ministro, Kiciloff já participava de negociações com o Brasil. Na semana passada, foi ele, e não seu antecessor, Hernan Lorezino, que veio ao Brasil para uma reunião de emergência no Ministério do Desenvolvimento para tratar, entre outros temas, da proposta argentina no acordo Mercosul-UE.

Para o ex-secretário de comércio exterior, Raúl Ochoa, tudo indica que, apesar da saída de Moreno, a estrutura protecionista, respaldada por vários setores do governo, permanecerá. "Moreno transformou-se no símbolo desse protecionismo, mas não é o único protecionista do governo".

O porta-voz da Câmara dos Importadores da Argentina, Miguel Ponce, afirma que a posição da entidade é a de "muita expectativa" pela posse do novo ministro da Economia e a designação do substituto de Moreno. "Estamos ansiosos para saber se a futura política de comércio exterior contemplará o emprego, a produção e a resolução dos problemas pendentes (as barreiras), que colocaram em xeque muitas pequenas e médias empresas, especialmente no interior do país".

Segundo Ponce, muitas companhias tiveram de antecipar férias e realizar demissões nos últimos meses, pois não conseguiam importar insumos por causa das barreiras de Moreno./ COLABORARAM LISANDRA PARAGUASSU e ARIEL PALACIOS

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