Mudança pode reduzir apetite por debênture

A marcação a mercado dos fundos de investimento deve comprometer o já enfraquecido apetite dos investidores por debêntures e notas promissórias. Com o trabalho de adequação das carteiras, os gestores estarão menos abertos às ofertas de títulos corporativos no curto prazo. Desde sexta-feira, os Fundos de Investimento Financeiros (FIFs) têm de ajustar o valor de suas cotas a mercado, ou seja, levar em consideração na formação do preço o comportamento das taxas de juros no momento. O início da obrigatoriedade estava previsto para setembro, e a antecipação abalou o mercado. "Os gestores precisam pôr a casa em ordem. Estão mais preocupados com isso do que em parar para avaliar novas oportunidades de negócios", afirmou o diretor de mercado de capitais do Banco ABC Brasil, João Carlos Gonçalves. O responsável pela área de emissões de um grande banco disse que os administradores de recursos estão tentando convencer os cotistas a permanecer nos fundos. Como não podem prever o comportamento dos clientes, os gestores precisam manter papéis de liquidez na carteira, para que possam vendê-los com facilidade em caso de saques, explica o gerente de emissões do ABN Amro, Ciro Giannini. Por isso, os analistas não acreditam na possibilidade de migração de recursos de outros ativos para as debêntures, apesar de esses títulos serem menos afetados pela marcação a mercado. Como esses papéis têm baixa liquidez, a influência das medidas, na prática, acaba sendo muito pequena. Uma exceção é quando acontece inadimplência dos emissores, como vem ocorrendo com a Inepar, que pode levar à oscilação do preço dos títulos. Mas a marcação a mercado não é o único fator que desestimulou a compra de papéis corporativos neste ano. O volume de emissões de debêntures na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) até ontem é de R$ 4,269 bilhões e o de notas promissórias, de R$ 1,311 bilhão. Muitas dessas ofertas, no entanto, ainda não foram a mercado. Um lançamento de R$ 300 milhões da Gerdau, por exemplo, ainda está na gaveta. O da Brasil Telecom era estudado desde o ano passado e acabou tendo o valor reduzido. As debêntures registradas em 2001 somaram R$ 15,162 bilhões, um recorde. Giannini, do ABN Amro, disse que as empresas continuam interessadas em emissões para alongar as dívidas, mas os investidores estão cautelosos. Para ele, houve superoferta de debêntures no segundo semestre de 2001, que não foi totalmente absorvida.

Agencia Estado,

06 de junho de 2002 | 09h38

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