Mudanças de hábitos no comércio varejista

Parece que no mês de outubro os consumidores mudaram de hábitos e anteciparam em um mês as compras para as festas natalinas, utilizando para isso seus cartões de crédito. É o que indica o volume das vendas no comércio restrito, que cresceu 0,8%, ante 0,3% em setembro - e o comércio varejista ampliado, que leva em conta também veículos e material de construção, teve crescimento de 8%, ante recuo de 8,7% no mês anterior.

O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2012 | 02h07

Como se verifica, a evolução foi importante, especialmente no comércio ampliado, o que justifica a suposição de que outubro foi um mês de antecipação das vendas de Natal.

No caso do comércio restrito, essa antecipação de compras é bem evidente: materiais de informática, que haviam acusado um recuo de 10,6% em setembro, crescem 18,4% no mês seguinte; as vendas de móveis e eletrodomésticos reverteram a queda em que vinham, assim como as de livros. Só o vestuário acusou nova queda.

As vendas de supermercados, produtos alimentícios e bebidas apresentaram redução, mas dentro de parâmetros normais, prevendo-se maiores gastos em dezembro.

Nas estatísticas do comércio varejista nota-se, porém, uma anomalia. Normalmente, quando se comparam volume de vendas e faturamento das vendas, por se tratar de receitas nominais, os dois resultados vão na mesma direção, sendo maior o aumento das receitas de venda, por causa da inflação.

Isso continua se verificando no caso do comércio restrito, mas nas vendas de veículos houve uma anomalia até gritante. Elas haviam caído 23,4%, em volume, e 22,8%, quanto ao faturamento, e em outubro houve um aumento de 13,3% do volume e de 13,4% do faturamento, que se pode atribuir à diminuição do volume de vendas dos automóveis importados.

Tudo indica que o comércio varejista restrito, que é particularmente sensível no fim do ano, continuará robusto: cresceu 8,9%, nos dez primeiros meses, e deverá crescer ainda mais, até o fim do ano.

O movimento do comércio varejista depende, naturalmente, dos salários, assim como do nível de emprego, e um aumento do desemprego afeta de maneira mais do que proporcional o impulso dos consumidores.

Depende, também, dos reajustes salariais, embora, com a inflação reduzida, isso tenha pouco efeito. Já a facilidade de obtenção de crédito - mais ainda que a taxa de juros - continua sendo um fator determinante nas decisões dos compradores.

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