Mudanças na diretoria do BC estão encerradas, diz Meirelles

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou, nesta quarta-feira, 11, que com a saída do diretor de Política Monetária, Rodrigo Azevedo, está encerrada a fase de mudanças na diretoria da autoridade monetária. "Conversei com os diretores e estendi o convite para permanecerem na diretoria do BC. Por razão de ordem pessoal, o Rodrigo decidiu voltar à iniciativa privada e para o lugar dele já indiquei o Mário Gomes Torós. Os demais diretores aceitaram o convite para permanecer", declarou Meirelles. Ele acrescentou que os diretores que ficam permanecerão em suas funções atuais, inclusive os dois diretores que acumulam funções, como Gustavo Matos do Vale, que acumula as diretorias de Administração e Liquidação, e Mário Mesquita, que controla as pastas de Política Econômica e Assuntos Especiais. Meirelles considerou a substituição de Azevedo como um processo absolutamente normal, apesar de ela ocorrer em um momento de forte questionamento sobre a política cambial que é executada pela diretoria de Azevedo. "Se fôssemos esperar que no mundo econômico não houvesse controvérsia, não poderíamos fazer mudanças", argumentou. Política Ele afirmou que as políticas do BC continuam, normalmente, mesmo com a substituição de Azevedo. Segundo Meirelles, especificamente referindo-se ao Comitê de Política Monetária (Copom), o fato de a saída de Azevedo marcar a segunda substituição na ala considerada ortodoxa do banco - a primeira baixa foi a saída de Afonso Beviláqua - não há mudança no perfil de atuação da autoridade monetária. "Não é a mudança de dois diretores que vai alterar o perfil do grupo", disse. "A política do Copom é da instituição", acrescentou Meirelles, lembrando que os votos da diretoria colegiada são individuais, mas respaldados por toda uma metodologia institucional do BC. De acordo com o presidente do BC, a política cambial também não vai sofrer mudanças. "A diretoria de Política Monetária não define a política cambial, ela executa. A política cambial é definida pelo governo", disse Meirelles. O diretor demissionário Rodrigo Azevedo defendeu a política cambial em curso, que tem sido alvo de duras críticas por conta da valorização do real ante o dólar. "A política cambial seguida pelo governo tem sido bem-sucedida em seus objetivos. Ela tem permitido um reforço da resistência a choques, particularmente, pela acumulação de reservas, e preserva o regime de câmbio flutuante", disse Azevedo. "No meu entender, a política cambial atende o arcabouço definido pelo governo", declarou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.