Mudanças no edital da Copene não mudam favoritismo do Ultra

As mudanças que o BC vem fazendo para o leilão da Copene não alteram o quadro verificado na venda fracassada do pólo petroquímico em dezembro: o único interessado continuará sendo o Grupo Ultra. Trata-se de uma opinião quase consensual entre os analistas do setor petroquímico consultados hoje pela Agência Estado. Eles acreditam que a Perez Companc, única concorrente do Ultra no leilão anterior, poderá até participar da venda, mas novamente de forma "cosmética" - o grupo sequer apresentou proposta no leilão de dezembro. Também apostam que muito dificilmente a Copesul entraria no leilão. Mais pela posição da Ipiranga e suas divergências internas entre os acionistas do que pela Odebrecht, que poderia ter interesse em entrar também na ponta compradora da Copene, porém sem a possibilidade de fazê-lo sozinha. A Dow Química confirmou hoje cedo ao editor Milton F. da Rocha Filho que não participará do novo leilão. "Não há outro concorrente para o Grupo Ultra no leilão", afirma o analista José Francisco Cataldo, da Sudameris Corretora. Ele lembra que além do acordo com a BNDESpar para o empréstimo de até R$ 1 bi, o Grupo Ultra conta ainda com um caixa líquido expressivo à espera dessa oportunidade. "O Ultra abriu seu capital com o principal intuito de comprar a Copene", lembra o analista Rafael Halpern, da Socopa Corretora. Preço - Na esperada ausência de disputa para o leilão da Copene, os analistas do setor petroquímico afirmam que a diferença entre um novo fracasso para a venda ou a sua efetivação estará basicamente no preço mínimo - agora divulgável -, que teria de ser mais baixo que o chamado valor vinculante do último leilão. "O problema é que ficaria feio para o BC baixar muito o valor mínimo, assim como ficaria feio para o Ultra pagar muito mais que a oferta do último leilão", lembra um analista do setor. Dessa forma, acreditam que o preço mínimo que constará do novo edital de venda da Copene fique entre a oferta do Ultra (não aceita pelos vendedores), de US$ 822 mi, e o chamado valor vinculante do leilão fracassado, em torno de US$ 1 bi. "Ou o BC inclui ou mesmo muda algum ativo do bloco que será vendido ou reduz esse preço mínimo", afirma o analista José Francisco Cataldo, da Sudameris Corretora, lembrando que a manutenção do preço mínimo em patamar elevado poderia levar a um novo fracasso da venda. "Se o valor ficar elevado, estará claro que algum dos integrantes do grupo vendedor não tem o interesse na venda. Por US$ 1 bi, ninguém leva", avalia outro analista.

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