Fábio- Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Fábio- Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Juros

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'Muita gente diz que ajuste fiscal durará mais 6 anos, vamos nos preparar', diz Mansueto

Secretário do Tesouro Nacional considerou 'otimista' a estimativa de rombo das contas públicas de R$ 700 bilhões; para ele, a dívida bruta deve atingir 94% do PIB

Idiana Tomazelli e Anne Warth, O Estado de S. Paulo

05 de junho de 2020 | 22h02

O secretário do Tesouro NacionalMansueto Almeida, alertou nesta sexta-feira, 5, que o processo de ajuste das contas públicas brasileiras deve se estender por todo o período do atual mandato presidencial e do próximo. "Muita gente fala que ajuste fiscal vai durar mais seis anos, vamos nos preparar para isso", afirmou em live promovida pela Verde Asset Management.  

Segundo o secretário, um rombo de R$ 700 bilhões este ano - equivalente a 10% do PIB brasileiro -, passou a ser uma "estimativa otimista". Ele admite que o déficit pode ser maior, caso algum dos programas emergenciais para o combate aos efeitos da pandemia do novo coronavírus seja prorrogado ou os tributos cujos pagamentos foram adiados pela União não sejam recolhidos no segundo semestre.

Ambas as hipóteses podem se concretizar. De um lado, o governo prevê prorrogar o auxílio emergencial a informais por mais dois meses, com parcelas de R$ 300, o que teria custo aproximado de R$ 50 bilhões. De outro, o Congresso quer negociar um amplo Refis para permitir às empresas renegociar débitos tributários acumulados durante o período da crise.    

Mansueto defendeu que o governo siga firme na agenda de ajustes e reformas. "O Brasil precisa perseguir superávit para colocar a dívida em queda, mesmo que isso aconteça daqui alguns anos", afirmou.    

Ele também afirmou que a dívida bruta deve atingir 94% do PIB, o que é um nível elevado para países emergentes. O déficit nominal, segundo ele, deve atingir 14,5% do PIB, mas pode "tranquilamente" ultrapassar 15%. Já a dívida líquida deve atingir 68% do PIB.

Máquina pública

O secretário do Tesouro defendeu a manutenção do teto de gastos, mecanismo que limita o avanço das despesas à inflação do ano anterior, como necessário para continuar firme na agenda de ajustes. "O Brasil não precisa fazer nada (adicional) para cumprir teto em 2021", disse. "O teto é a regra, e o Orçamento a ser enviado em agosto precisa cumprir o teto", acrescentou.  

No enanto, Mansueto disse achar improvável que o governo consiga reduzir o custeio da máquina em mais de 0,5% ao ano. "Não tem muito espaço", afirmou. Segundo ele, as despesas com pessoal cresciam 10% ao ano, em média, e o governo vai conseguir reduzir esse índice para menos de 5% entre 2019 e 2022

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