Alan Santos/PR
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'Muito do que falam é fantasia, isso não é crise', diz Bolsonaro

Presidente diz que imprensa 'conseguiu' criar crise com queda no preço do petróleo e que coronavírus 'não é tudo isso'

Beatriz Bulla, enviada especial, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2020 | 12h21

MIAMI - Um dia depois de os mercados financeiros ao redor do mundo registrarem perdas históricas, o presidente Jair Bolsonaro negou que haja uma crise e culpou a imprensa pela situação.  

“Muito do que tem ali é mais fantasia, a questão do coronavírus, que não é isso tudo que a grande mídia propaga”, disse Bolsonaro em evento em Miami. Na segunda-feira, 9, ele já havia dito que a disseminação da doença estava “super dimensionada”. 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também tem minimizado o coronavírus. Segundo fontes presentes no jantar entre Trump e Bolsonaro em Mar-a-Lago, no sábado, os dois conversaram sobre a disseminação do vírus e estimaram que até o final de abril haverá uma melhora na situação. 

Há 105.586 casos de coronavírus confirmados em 97 países e 3.584 mortes. Nos EUA, há mais de 600 casos confirmados e na Flórida, onde Bolsonaro está, duas pessoas morreram. 

“Alguns da imprensa conseguiram fazer de uma crise a queda do preço do petróleo (…) É melhor cair 30% do que subir 30% do preço do petróleo. Mas isso não é crise. Obviamente, problemas na Bolsa, isso acontece esporadicamente. Como estamos vendo agora há pouco, as bolsas que começam a abri hoje já começam com sinais de recuperação”, afirmou nesta manhã em evento a empresários.

A segunda-feira foi caótica para os mercados financeiros, com a disseminação do coronavírus e a violenta queda nos preços de barris de petróleo, em uma disputa de preços entre a Arábia Saudita e a Rússia. As ações de empresas negociadas na B3 perderam em cifras o maior prejuízo da Bolsa em um único dia desde o início do Plano Real, em 1994. A Bolsa brasileira teve de suspender os negócios, depois que a queda passou de 10%,  e em Nova York também houve interrupção temporária nas negociações ao longo do dia.

Nesta terça-feira, Bolsonaro voltou a negar que o governo possa aumentar o tributo federal sobre combustíveis, a Cide, como forma de compensar uma possível queda no preço da gasolina . “Zero, zero, não existe isso (sobre aumento da Cide). A política que a Petrobrás segue é a de preços internacionais, então a gente espera, obviamente, não como presidente, mas como cidadão, que o preço caia nas refinarias e seja repassado ao consumidor na bomba”, afirmou o presidente.

Jantar com Trump

Bolsonaro afirmou que Trump está disposto a “buscar o livre-comércio” com o Brasil. “Discutimos questões pontuais, como é do interesse americano, etanol e carne de porco. Pedi para ele para que nós deixássemos questões pontuais e discutíssemos de forma mais ampla. Ele concordou. Então nossas assessorias vão começar a discutir livre-comércio mais amplo com EUA”, disse.

Os dois países estão desde o ano passado negociando acordos pontuais de liberalização de comércio - o que não envolve negociação sobre tarifas, portanto, não se caracteriza como um acordo de livre-comércio. No jantar, as conversas confirmaram o interesse de formular um pacote de medidas para facilitar negociações entre os dois países.

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