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Muito espaço para crescer

Estava no elevador com mais quatro pessoas, todos devidamente compenetrados em suas telas pessoais. Eu, não sei bem porquê, resolvi deixar meu aparelho no bolso. E fiquei ali, olhando para o teto, para o aviso dos andares, pensando em qualquer coisa. Me senti estranho, cometendo um ato extremamente antissocial.

Homem Objeto, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2015 | 02h07

Para onde quer que se olhe, a raça humana hoje se identifica por postura encurvada, olhares fixos no pequeno visor brilhante à frente, dedos a manipular seu conteúdo. Sempre consumindo informação, sempre procurando atualização.

Quem ainda não tem um smartphone quer ter, foi convencido de que precisa ter. E não precisa mesmo? Se pensarmos em contexto social e profissional, chega a ser uma aberração quem não está dentro da rede de alguma forma. O mercado, a sociedade, a família, todos cobram participação.

Com as empresas trabalhando sem parar para colocar mais e mais recursos no smartphone, a vida tende a se tornar mais complicada sem um. Bancos exigem uso de aplicativo para acesso à conta. Táxis chegam de maneira segura e eficiente a qualquer lugar com três toques na tela. Um caminho com trânsito pode ser facilmente detectado, seja qual for a cidade. E, dobrando a esquina em passadas firmes, uma leva de auxiliares de saúde e atividades físicas ao alcance dos dedos.

Mas estamos apenas no começo. Não faz nem dez anos que o primeiro iPhone saiu, a internet 2.0 é do início da década passada. Pense na rapidez, conectividade e recursos que estarão aí em cinco, dez anos. O que estaremos fazendo quando quase 80% das linhas for em velocidade 4G, previsão do alcance dessa rede para a América Latina em 2020.

Hoje, falamos muitas vezes falamos de ferramentas e tecnologia que ainda nem estão disponíveis para a maioria da população. Quando o assunto são smartphones e banda larga, há muito o que avançar em termos de novos usuários e mercado.

E quanto é isso? O bastante para que, em qualquer conversa com empresários ligados à tecnologia, o tom seja sempre de otimismo, de um futuro tão brilhante que pede óculos escuros, mesmo neste 2015 em que outros setores só enxergam nuvens de chuva.

Será só em 2015, por exemplo, que a base instalada de smartphones no Brasil passará dos 50%, segundo algumas previsões. Apesar dessa categoria de aparelho já ser campeã disparada em vendas faz um tempo, a maioria dos aparelhos em funcionamento no País ainda não tem recursos como tela de toque ou conexão às redes 3G e 4G, ou seja, são celulares tradicionais.

Se olharmos para a população brasileira como um todo, apenas 28,3% possui smartphones, de acordo com uma pesquisa de março da Kantar Worldpanel. Isso significa que dois terços dos brasileiros têm celulares convencionais ou não têm nenhum tipo de aparelho.

Para os desenvolvedores de aplicativos isso é tudo boa notícia também. O caminho para expansão é enorme. A cultura dos aplicativos cresce por aqui, mas está longe da diversificação de outros mercados, restrita ainda a poucos títulos como Facebook, WhatsApp e, mais recentemente, o Waze.

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