Muito prazer, Rio 2016!

Testemunhei a cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Londres. Momento marcante para celebrar os 17 dias de competições em que 204 países disputaram quase mil medalhas. Se durante o evento o que importou foram os centésimos de segundos, o esforço sobre-humano e o espírito de equipe, pelos próximos quatro anos, o holofote olímpico estará direcionado para um dos protagonistas do encerramento: o Brasil e, mais especificamente, o Rio de Janeiro.

REINALDO GARCIA, PRESIDENTE, CEO DA GE AMÉRICA LATINA, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2012 | 03h07

Mais do que se colocar em situação de comparação com Londres, o Rio de Janeiro tem a oportunidade de aprender com essa cidade. Essa foi a terceira vez que os londrinos receberam a competição. A cidade previa gastar R$ 23 bilhões e, pelo seu bom planejamento, conseguiu reduzir o valor para R$ 18,2 bilhões. Além disso, conseguiu receitas superiores a R$ 1 bilhão somente com a venda de ingressos para os Jogos. Em suma, Londres realizou o evento com a conhecida elegância britânica, livre de extravagâncias, que poderiam resultar em gastos desnecessários.

A atual previsão do Comitê Olímpico Brasileiro para a realização dos Jogos em 2016 está em R$ 29,5 bilhões. Londres pode contar com uma infraestrutura que já estava pronta, o que explica a diferença entre as projeções. Ainda assim, o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Londres se empenhou em resolver rapidamente suas urgências. O transporte público londrino, notório por sua eficiência, recebeu ampliação no metrô, além da criação da linha ferroviária de alta velocidade. Com isso, transportar os mais de 30 milhões de turistas e torcedores que desembarcaram na cidade para acompanhar a competição não foi um problema.

A escolha da cidade maravilhosa como sede dos Jogos Olímpicos 2016 foi anunciada em outubro de 2009 e, desde então, projetos têm sido criados e estão em andamento, com a intenção do governo de manter o cronograma dentro de prazos estabelecidos. Sediar um evento desta magnitude requer um desenvolvimento acelerado. Estimativas do governo do Rio de Janeiro apontam para investimentos de R$ 100 bilhões no Estado até 2016, considerando aportes da iniciativa pública e privada. É uma oportunidade única de alavancar melhorias com soluções em diferentes frentes.

Londres também nos ensinou como realizar Jogos sustentáveis. As cidades-sede costumam realizar grandes projetos para construção de espaços monumentais, que perdem valor após o evento e se tornam passivos desnecessários à paisagem. Em Londres, tudo que foi construído será utilizado pela população. Os espaços avaliados como necessários apenas para os jogos foram concebidos como instalações temporárias.

Sustentabilidade. Um exemplo de legado sustentável é o Centro de Energia. Criado para fornecer potência, aquecimento e um sistema de refrigeração para os jogos, o centro foi desenvolvido para alimentar os novos edifícios e comunidades que serão desenvolvidos na região. Essa solução já forneceu 10 MW de energia para os Jogos e servirá agora para ajudar Londres a atingir suas metas para aumentar o uso de energias alternativas, conservação de água e estratégias de reciclagem.

Durante os dias em que estive em Londres foi possível perceber que os projetos foram focados na melhoria da cidade, mas também beneficiam os moradores. A icônica Tower Bridge, um dos cartões-postais mais visitados, recebeu novo projeto de iluminação, que alia eficiência, tecnologia e sustentabilidade. Ainda que o lançamento tenha acontecido durante a Olimpíada, a população ganha a renovação da ponte, que foi pensada para valorizar sua arquitetura e ampliar a segurança, apenas com lâmpadas LED.

A necessidade de infraestrutura para a Olimpíada de 2016 é indiscutível, mas o Rio pode aproveitar a oportunidade para se recriar. Projetos pensados com inteligência aumentam o turismo após a realização do evento, já que oferecem aos visitantes novos motivos para conhecerem a cidade.

Como resultado de um planejamento bem executado, o Rio pode ampliar o acesso à saúde, saneamento básico, transporte público, segurança e energia, além de melhorar a qualidade de vida dos cariocas. Mesmo com exemplos sólidos, o legado de uma Olimpíada é intangível, mas é inegável. Ainda que o Brasil não se consagre como o maior medalhista, poderá se orgulhar de uma execução bem feita e das melhorias agregadas à cidade.

Por enquanto, ficamos com os questionamentos: o que será dito sobre a preparação do Rio? Como os demais países verão as mudanças de infraestrutura? E como os atletas definirão sua passagem? Que seja com ouro incontestável.

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