'Muito trabalho e um pouco de sorte'

Atualmente a maior loja virtual de venda de cosméticos do Brasil, a Sack"s surgiu no fim da década de 90 pelas mãos de Carlos André Montenegro, então com 21 anos. Na época, ele e o amigo Marcelo Franco começaram a vender, na internet, os produtos que o pai de Marcelo comercializava numa rede de três lojas físicas de mesmo nome, no Rio de Janeiro.

Aiana Freitas, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2010 | 00h00

A iniciativa dos dois jovens amigos que se tornaram sócios deu tão certo que, em poucos anos, as lojas físicas desapareceram. Hoje, a única loja do "mundo real" administrada por eles é da marca Channel, também no Rio ? exigência da sede mundial da empresa para permitir que eles pudessem comercializar produtos da marca no Brasil pela internet.

Atualmente, a Sack"s fatura mais de R$ 100 milhões por ano. Entre os segredos do bom desempenho estão o parcelamento das compras, a venda de produtos desenvolvidos exclusivamente para o Brasil em parceria com os fabricantes e as promoções agressivas. Para 2010, a expectativa é de um crescimento de 35%. Mas hoje, aos 31 anos, Carlos André Montenegro ainda tem planos ambiciosos, como lançar operações fora do País.

1. Como foi a passagem da Sack"s do mundo físico para o mundo virtual?

O pai do Marcelo Franco, hoje meu sócio, fundou a Sack"s em 1980 e chegou a ter três lojas físicas de vendas de cosméticos no fim dos anos 90. Nessa época, eu trabalhava como estagiário em uma empresa de busca na internet, a Cadê, e o Marcelo namorava minha prima. Ficamos amigos e acompanhamos a entrada das redes varejistas na internet. Propusemos então ao pai dele vender os produtos da Sack"s no mundo virtual. Com muito trabalho e um pouco de sorte, chegamos ao faturamento de R$ 100 milhões por ano.

2. Por que o sr. diz que teve sorte?

Só depois de termos lançado o negócio descobrimos, por exemplo, que existia uma imensa demanda por grandes marcas de perfumes no Brasil. Eram marcas que faziam grandes anúncios, mas não chegavam a todos os consumidores ? principalmente de cidades do interior do País. Atualmente as vendas para cidades do interior representam 55% do nosso faturamento.

3. A Sack"s costuma firmar parcerias com os fabricantes para trazer produtos exclusivos para o País. Como esses produtos são escolhidos?

As grandes marcas de perfumes têm uma quantidade imensa de produtos em seus books que não são vendidas em todos os países. Trouxemos um perfume da Lancôme que só era vendido na Grécia, por exemplo, que deu muito certo aqui. Descobrimos também que o brasileiro gosta muito de colecionar miniaturas de perfumes. Passamos a vender um estojo de miniaturas da marca Carolina Herrera que se tornou um grande sucesso.

4. O sr. fundou a Sack"s com 21 anos e hoje tem apenas 31. Com tão pouca idade, ainda imagina ter muitos desafios pela frente?

A verdade é que no Brasil os desafios estão diminuindo só agora, com a estabilização da economia. Recentemente, por exemplo, passamos a vender a marca Channel, o que foi uma grande vitória para a Sack"s. Passamos também a administrar a primeira loja física da marca no País, no Rio de Janeiro. Estamos agora em negociação para trazer a Estée Lauder para o Brasil. A Loccitane é outra marca que só é vendida em lojas próprias e que queremos comercializar no nosso site. Também pensamos em, futuramente, levar nossas operações para o exterior.

5. Para que países?

Olhamos com muito carinho para a Argentina e para o Chile. Mas isso será mais para a frente. Ainda temos muitos lugares para crescer dentro do Brasil.

6. Analisando sua trajetória, podemos concluir que o sr. praticamente ajudou a desenvolver o e-commerce no Brasil. Sente isso também?

Sim. Mas muito trabalho foi envolvido nesse processo. Quando fundamos a loja, existiam menos de dez players no comércio eletrônico brasileiro. Acredito que o fato de termos várias marcas exclusivas é que fez a diferença. Mas, além disso, demos outras características importantes. Desde 2006, por exemplo, não cobramos frete no site. E fazemos parcelamento em até 12 vezes sem juros, o que permite que todos tenham condições de comprar.

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