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Muitos dados

"Big data” é uma das expressões da moda do mercado de tecnologia. Ela diz respeito a volumes tão grandes de dados que ferramentas tecnológicas convencionais não conseguem processá-los. Muitas vezes, aplicações de big data combinam fontes diferentes de informação, que permitem descobrir tendências e padrões que não seriam percebidos com menos dados.

Renato Cruz, O Estado de S. Paulo

25 de outubro de 2015 | 05h00

O crescimento exponencial de dispositivos conectados à internet e de sensores faz com que as informações sejam cada vez mais abundantes. Atualmente, as empresas podem cruzar publicações nas redes sociais com bancos de dados internos, para identificar perfis e tendências de consumo.

A BSA, associação internacional de empresas de software, divulgou um estudo com exemplos do que se pode fazer com ferramentas de análise de dados. Barcelona, por exemplo, abraçou o conceito de cidade inteligente e tem usado ferramenta de análise de padrões de tráfego de turistas para definir onde serão instaladas novas estações de aluguel de bicicletas e caixas eletrônicos.

Noventa por cento dos dados existentes no mundo foram criados nos últimos dois anos, e a maioria teve origem num sensor ligado a uma máquina, de acordo com a BSA. As companhias aéreas têm tantos sensores em suas aeronaves que um voo pode gerar meio terabyte de dados, o que equivale a 10 discos de Blu-ray. Mundialmente, são feitos mais de 25 mil voos por dia.

Respostas. O grande desafio enfrentado atualmente é tirar respostas úteis de todos esses dados gerados e armazenados. Nem sempre correlações de dados levam a conclusões corretas. Em 2013, um casal americano recebeu a visita de um esquadrão antiterrorismo logo após os atentados ocorridos na Maratona de Boston, porque haviam pesquisado “panela de pressão” e “mochila” na internet. A esposa queria uma panela para fazer quinoa e o marido queria trocar sua mochila. (No atentado em Boston, que deixou três mortos e 264 pessoas feridas, os terroristas usaram duas bombas caseiras de panela de pressão escondidas em mochilas.)

Quando a análise dá certo, os resultados podem ser surpreendentes. Segundo a BSA, os departamentos de polícia de Los Angeles e Santa Cruz, nos Estados Unidos, modificaram um software, originalmente desenvolvido para calcular riscos de terremotos, e passaram a prever, com precisão de 150 metros, os locais onde podem ocorrer crimes. Em Los Angeles, o sistema permitiu diminuir em 33% os roubos e em 21% os crimes violentos.

Clay Shirky, professor da Universidade de Nova York em Xangai, publicou em sua conta no Twitter este ano algumas dicas sobre big data. Uma delas é substituir a expressão “big data” por “mais dados” quando for analisar a utilidade da tecnologia para determinada empresa. “Se você não usa os dados que já tem, a ‘grandeza’ será inútil. A escala dos dados não muda em nada a cultura organizacional”, escreveu Shirky.

Investidor

Kevin Efrusy, sócio do fundo Accel Partners, participa na quinta-feira de um evento promovido pela Neoway em São Paulo. Em sua negociação mais famosa, Efrusy convenceu Mark Zuckerberg, quando o Facebook ainda se chamava Thefacebook, a aceitar a Accel como primeiro investidor. O investimento de US$ 12 milhões que o fundo fez em 2005 foi avaliado em mais de US$ 11 bilhões quando a rede social abriu o capital, sete anos depois.

 

Riscos

Quais são os maiores riscos que as empresas enfrentam hoje? Pesquisa da seguradora Marsh apontou que 79% dos executivos consideram violação de dados estratégicos e danos à reputação da companhia as ameaças com maior probabilidade de acontecer. Em seguida, estão falhas nos bancos de dados, com 59%, e falhas nos serviços online causadas por ataques cibernéticos. 


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