Mulher teve participação recorde no mercado de trabalho em 2004

A Fundação Seade, órgão ligado à secretaria estadual de Economia e Planejamento de São Paulo, divulgou hoje um estudo, que mostra um recorde na taxa de participação feminina na Grande São Paulo: em 2004 chegou a 55,5% contra 55,1% de 2003. A pesquisa se concentra na proporção de mulheres com dez anos ou mais de inserção no mercado de trabalho. Este é o maior patamar atingido pelas mulheres desde o início dos levantamentos, em 1985.O destaque ficou para jovens entre 18 e 24 anos, cuja participação aumentou 2,6% e registrou participação de 77,4% no mercado de trabalho. Apesar de tímida, a participação das mulheres com 60 anos ou mais também cresceu (0,7%). Um dado negativo é que o crescimento da força de trabalho feminina da Grande São Paulo não atingiu as mulheres negras, que mantiveram participação praticamente estável, com crescimento de 0,2%. Para as mulheres não-negras, o crescimento foi de 0,9%.EscolaridadeCom relação ao atributo escolaridade, as mulheres com ensino superior registraram aumento de participação no mercado de trabalho de 0,5%, chegando ao índice de 82,9%, enquanto que a participação de mulheres analfabetas ou com ensino fundamental incompleto caiu 3,3%, para 36,7%.DesempregoA taxa de desemprego registrou queda tanto para homens quanto para mulheres, mas foi mais acentuada para mulheres. O desemprego atinge hoje 21,5% da População Economicamente Ativa (PEA) feminina (em 2003, o índice era de 23,1%) e 16,3% da PEA masculina (17,2% em 2003). Para as mulheres, é o índice mais baixo desde 1999.A proporção de mulheres desempregados diminui para 52,9% em 2004 ante 53,1% em 2003, mas ela permanece superior à dos homens desde o ano 2000. Todas as faixas etárias registraram queda no desemprego, com destaque para mulheres entre 40 e 49 anos (11,7%) e mulheres entre 50 e 59 anos (11,9%). A taxa de desemprego diminuiu mais entre mulheres negras (8,1%) do que entre mulheres não-negras (6,5%).Também caiu o desemprego para todas os níveis de escolaridade, com exceção das mulheres com ensino superior completo, que registraram variação negativa de 0,4%, decorrente do aumento de sua participação no mercado de trabalho. Porém, o tempo médio de desemprego entre mulheres cresce para 24 meses, ante 22 meses em 2003.RendimentosO rendimento médio por hora das mulheres passou a corresponder a 77,9% do recebido pelos homens, ante 78,3% registrado em 2003. As mulheres recebem hoje R$ 4,74 por hora, aumento de 2,5% em relação ao valor de 2003, e homens recebem R$ 6,09, aumento de 3,4% comparado ao vigente em 2003.O destaque ficou para o setor de serviços, no qual o rendimento médio das mulheres aumentou 3,6%. Sendo assim, o rendimento médio das mulheres neste setor passou a corresponder a 98,3% do recebido pelos homens, mas houve quedas na proporção no setor industrial (61,9% em 2004 ante 65,2% em 2003) e no comércio (75,9% em 2004 ante 79,4% em 2003).RendimentosEm 2004, o valor recebido por hora pelas mulheres assalariadas com carteira assinada passou a corresponder a 87,9% do recebido pelos homens, praticamente mantendo a relação de 2003 (87,4%). Para as assalariadas sem carteira, a proporção equivaleu a 79,5%. Já no setor público, a proporção chegou de 89,8%. A pesquisa constatou que apesar da queda dos níveis de rendimento observada nos anos 90, a perda é menor entre as mulheres com maior escolaridade.As mulheres negras continuam a receber menos que as não-negras. O rendimento das mulheres negras equivale a 54,1% do rendimento das mulheres não-negras na indústria, 52% nos serviços, 64,9% no comércio e 96,3% nos serviços domésticos.A pesquisa realizada pela Fundação Seade teve o apoio do Fundo para Igualdade de Gênero do Canadá, do Conselho Estadual da Condição Feminina, do Dieese e da Secretaria Estadual do Emprego e Relações do Trabalho.

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