Mulheres do Nordeste pagam em dia os empréstimos

Homens do Sudeste são a maior fatia de devedores; apenas na Região Sul, calote feminino supera o masculino

IURI DANTAS / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2011 | 03h03

Quando se trata de pagar empréstimos bancários, as mulheres do Nordeste são as mais pontuais, enquanto os homens do Sudeste representam a maior fatia de devedores. As mulheres apresentam os menores índices de inadimplência em quatro das cinco regiões brasileiras e só no Sul elas superam os homens em atraso no pagamento.

Quando a pesquisa levou em conta o tipo de trabalho do cliente, o Banco Central verificou que o salário mensal assegurado pela carteira de trabalho assinada faz diferença. Os maiores índices de inadimplência foram registrados entre profissionais liberais em todas as cinco regiões do País.

Os dados fazem parte de um estudo feito pelo BC no relatório trimestral de inflação, em um esforço para compreender o perfil de quem toma empréstimo no País após a forte expansão do crédito nos últimos anos.

Ou seja, à medida que aumenta o número de empréstimos é bom saber como andam os pagamentos. No mês passado, por exemplo, o crédito atingiu 47,8% do Produto Interno Bruto e vai continuar crescendo a uma taxa de dois dígitos, segundo previsão da autoridade monetária.

O crédito no País vem crescendo impulsionado por financiamentos habitacionais, que avançaram 49,3% no mês passado em relação a agosto de 2010, e empréstimos para compra de automóveis, que cresceram 36%. O BC monitora de perto a evolução do crédito para evitar bolhas e pressão sobre a inflação.

Emprego. A pesquisa do BC identificou uma forte relação entre emprego e inadimplência. Cada vez que a taxa de desemprego do País cresce 1 ponto porcentual, por exemplo, a probabilidade de não pagamento das dívidas sobe 3 ou 4 pontos porcentuais.

Segundo o diretor de Política Econômica da instituição, Carlos Hamilton, há "forte aderência" entre o comportamento das duas variáveis: quanto maior o número de pessoas empregadas, menor o número de calotes na praça.

Os bancos, segundo o BC, conseguem monitorar de forma satisfatória a possibilidade de default por meio de critérios de risco dos clientes. De acordo com a pesquisa, homens e jovens têm mais possibilidade de não pagar os empréstimos do que as mulheres e os mais velhos.

Já o crescimento ou retração da economia brasileira parece não ter muita relação com a inadimplência. "Mesmo mostrando relação estatisticamente significativa entre default de crédito e ciclos econômicos, os valores evidenciam que o efeito da atividade econômica na probabilidade de default das operações de crédito no setor de varejo ainda é reduzido."

No relatório de inflação, o BC avalia que os níveis gerais de inadimplência, que incluem pagamento de duplicatas e outras obrigações, vêm crescendo na economia, mas ainda se mantêm em nível menor que em anos anteriores, não sendo motivo para preocupação no momento.

Bancarização. O crescimento da classe média nos últimos anos torna a política monetária mais eficaz, na avaliação do BC, por elevar o número de pessoas com conta bancária. Quando há aumento de juros, por exemplo, os clientes de banco percebem mais rapidamente a retração do crédito e o aumento do custo do dinheiro, freando o consumo e reduzindo a pressão sobre a inflação.

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