Mulheres ganham menos e lideram desemprego no ABC

A Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) na região do ABC, produzida pela Fundação Seade em parceria com o Dieese e o Consórcio Intermunicipal das Bacias do Alto Tamanduateí e Billings, revela que o perfil da maioria dos desempregados há mais de um ano na região é de uma mulher (62,3%), que não é chefe de família (71,3%) e tem baixa escolaridade. No caso de 40% dos desempregados, o ensino fundamental não foi completado."O desemprego de longa duração (mais de um ano) é cada vez mais feminino", disse o coordenador de Pesquisas da Agência de Desenvolvimento do Grande ABC, João Pamplona.Além de compor a maior parte da massa de pessoas que buscam emprego, uma vez empregadas, as mulheres recebem também os menores salários. "Houve um alargamento das diferenças", indicou a gerente de Análise e Estudos Especiais, Paula Montagner.Conforme dados da pesquisa, em dezembro o rendimento médio dos homens e mulheres residentes no ABC foi reduzido em 3,3% e 6,1%, respectivamente. Em novembro, o salário médio masculino foi de R$ 949, enquanto o feminino fica em R$ 547, o que corresponde a 57,6% da média salarial do homem. Em outubro, essa relação era de 59,4%."Se quisermos nos espelhar nas relações trabalhistas da Europa, temos que pagar melhor e empregar mais mulheres", sustentou Pamplona.Segundo os dados da pesquisa, também é crescente a quantidade de desempregados de longa duração com graus elevados de escolaridade. "Isto põe em xeque a idéia de que basta escolaridade para obter ocupação", analisou.Em dezembro, para um desempregado obter uma ocupação no Grande ABC, foi necessário esperar por um período de 50 semanas.ReviravoltaOutro ponto de destaque da pesquisa decorre da retomada das contratações das empresas ao longo de 2001, mantendo a tendência verificada em 2000. Ao longo da década de 80 e 90, mais de 120 mil postos de trabalho na indústria foram fechados no ABC por causa do fechamento de fábricas na região e substituição de homens por máquinas."Desde a desvalorização do real, o ABC mudou de ponta. Não demitimos, mas contratamos na indústria. Já não estamos no fundo do poço", defendeu Pamplona. Pelos cálculos da pesquisa, os postos de trabalho na indústria do ABC saltaram, em média, de 265 mil posições em 1998 para 283 mil em 2001. "Criamos 22 mil postos na indústria em 2001, similar ao volume de 2000", comentou o coordenador, relembrando que o período mais agudo de demissões aconteceu em 1999, com o corte de 24 mil postos na comparação com 1998.O coordenador da Agência e a gerente da Fundação Seade admitiram que um eventual crescimento da atividade industrial no País na ordem de 4%, como prevêem alguns segmentos empresariais, poderá ter bons efeitos na região. Porém, na avaliação de ambos, não há sinais concretos na condução da política econômica do País capazes de indicar a consolidação dessas estimativas."Temos que lembrar que este é um ano eleitoral e os investidores do setor produtivo estarão cautelosos. Além disso, há a restrição dos juros, um sinalizador negativo e descompassado com uma pretensão de expansão industrial", avaliou Paula Montagner."Se de fato houver o crescimento industrial nessa proporção, podemos esperar que, além do aumento das contratações, os Sindicatos sairão de sua posição de defesa do emprego para o ataque de melhoria de salários", estimou Pamplona.

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