Mulheres negras ganham metade dos salários de não-negras

As mulheres negras brasileiras residentes em São Paulo recebem praticamente a metade dos salários ganhos pelas não-negras, segundo a pesquisa "Mulher Negra: Dupla Discriminação nos Mercados de Trabalho", feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). Os dados do biênio 2001/2002 divulgados hoje pela entidade indicam que enquanto uma mulher negra recebia salário de R$ 494,00, as não-negras tinham R$ 896,00.A pesquisa apontou o Distrito Federal como o local onde as afro-descendentes são mais bem remuneradas. O ganho salarial atingiu R$ 815,00, ante R$ 1.275,00 das mulheres não-negras. A pesquisa, realizada em parceria com a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), também contou com parcerias de instituições e governos locais das regiões metropolitanas de São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador, Recife e Distrito Federal.Segundo os dados, as trabalhadoras afro-descendentes se concentram no setor de serviços, que absorveu entre 41,6% das ocupadas na região metropolitana de São Paulo e 57,8% das residentes no Distrito Federal no biênio 2001/2002. Já a menor presença de mulheres negras foi verificada no setor público, onde ocupavam 22,9% dos postos de trabalho na capital federal, enquanto que a proporção de não-negras atingiu 32,4%.A pesquisa detectou ainda desvantagens para a entrada de mulheres negras no emprego público de Salvador (7,2 pontos porcentuais) e Recife (6,5 pontos porcentuais). As maiores taxas de participação de afro-descendentes, como aponta o estudo, foram verificadas no Distrito Federal (58,4%) e em São Paulo (56,5%), regiões que indicam as mais elevadas proporções de não-negras (55,6% e 52,8%, respectivamente).Cargos de chefiaA probabilidade de uma mulher negra atingir o posto de direção e chefia é ínfima, segundo o estudo, que apontou a capital federal como sendo o local onde tem-se a maior proporção de negras nesses cargos (11,9%). São Paulo (4,2%) e Porto Alegre (3,0%) foram os que apresentaram a menor presença de afro-descendentes em postos de direção e chefia. Da mesma forma, essas mulheres têm mais dificuldade em completar a escolaridade. No biênio 2001/2001, 6,6% concluíram o ensino superior. Entre as mulheres não-negras esse porcentual foi de 26,2%.

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