Mulheres usam cada vez mais o cartão de crédito

As mulheres brasileiras estão tendo cada vez mais acesso ao cartão de crédito, segundo estudo divulgado na segunda-feira pela Credicard. Mas, ao contrário do senso comum, elas são mais controladas que os homens na hora das compras. "O tíquete médio das mulheres é de R$ 81, enquanto a média geral de gastos é de R$ 88", conta Fernando Chacon, diretor-executivo de Marketing da Credicard.A pesquisa mostrou que a participação das mulheres no mercado de cartões subiu 29,8% em 2005, acima da média geral, de 27,1%. Elas gastaram R$ 57,9 bilhões, enquanto o mercado total girou R$ 127,6 bilhões. "As mulheres fazem o mesmo número de transações e gastam menos, e não é só porque a renda delas é menor, mas também porque fazem uso mais consciente do cartão", diz Chacon. Segundo o estudo, 71,6% das mulheres têm renda menor que R$ 500, enquanto apenas 55,3% dos homens estão nessa situação.Em relação aos gastos, a maior parte ainda é para compras em supermercado - em média, 74% dos gastos vão para esse tipo de consumo -, mas as mulheres passam à frente dos homens na hora de adquirir itens em perfumarias, lojas de departamento e calçados. "Isso mostra que as mulheres ainda são provedoras da casa, já que os homens priorizam outros gastos, como abastecer o veículo com o cartão."O estudo ainda aponta que o cartão de crédito é o instrumento preferido pelas mulheres para a obtenção de crédito, quando comparado com o crediário, crédito pessoal e cheque especial. Entre a parcela feminina dos entrevistados, 64% financiam compras exclusivamente no cartão de crédito, ante 60% dos homens."Isso ocorre porque 89% dos homens têm conta em bancos, ante 84% das mulheres, e 24% deles acabam utilizando o cheque especial,ante 16% das mulheres que utilizam esse financiamento", diz Chacon.Consumidoras como a secretária Andreza Alves Giannoni, de 21 anos, confirmam a tendência. Ela utiliza o cartão principalmente para parcelar a compra de roupas e sapatos, mas diz que é preciso tomar cuidado com o crédito. "Não costumo comprar muito, mas os juros rolam e da última vez, quando percebi já tinha uma dívida de R$ 600, apesar do limite do meu cartão ser de R$ 400."Ela costumava pagar apenas a parcela mínima da fatura, para ficar com mais dinheiro no final do mês. "Então tive de negociar a dívida com a fornecedora do cartão e agora estou mais controlada com os gastos", diz.O estudo envolveu 2,8 mil entrevistas, realizadas com pessoas portadoras ou não de cartão de crédito em todas as regiões metropolitanas do País, em 2005. Também foi feita uma amostra com 2,5 mil pessoas que tinham cartões.

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