Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Multimercados turbinam os fundos de investimento no ano

Considerado porta Para investimentos de risco, fundo responde por 27,5% do que entrou no sistema, diz Anbima

Érika Motoda, O Estado de S. Paulo

11 de novembro de 2019 | 05h00

Dos R$ 228 bilhões de captação líquida que a indústria de fundos de investimento acumulou ao longo do ano, a classe multimercados foi a maior responsável por engrossar a cifra, com R$ 62,7 bilhões (27,5% do total), de acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) do período de janeiro a outubro.

Considerado uma porta de entrada para os investimentos de risco, já que trata com produtos de a renda fixa e variável simultaneamente, o fundo multimercado é subdividido em 11 categorias pela associação. Dessas, a que teve mais captação foi a “livre”, que tem natureza considerada agressiva dentro do rol. Sozinha, foi responsável por R$ 32,3 bilhões até o último mês.

Os fundos multimercados livres não são obrigados a concentrar seu dinheiro em uma estratégia específica, o montante em caixa pode ser investido em quaisquer ativos adequados para o momento; ao contrário do que acontece com o fundo multimercados de investimento no exterior – que foi a segunda subcategoria que mais captou patrimônio líquido no período, com R$ 17,3 bilhões –, por exemplo, que é obrigada a investir pelo menos 40% da quantia líquida em ativos financeiros fora do País.

Com a taxa básica de juros, a Selic, em 5% ao ano, investidores estão atrás de outras alternativas, além da renda fixa, e os fundos multimercados representam um “meio-termo” nessa mudança de perfil, diz Érica Santos, sócia-fundadora da Ella’s Investimentos. No geral, os fundos multimercado seguem a máxima de diversificação que pregam os especialistas. “É importante não colocar todos os ovos em uma cesta só”, brincou.

Com a sinalização de um novo corte de 0,5 ponto porcentual na Selic ainda em dezembro e com a projeção de inflação sob controle, os fundos de ações e os multimercado devem ser os mais beneficiados, acredita Bernardo Zerbini, um dos responsáveis pela estratégia de macro da gestora de recursos AZ Quest.

“Acreditamos que os juros vão parar no 4,25%, porque achamos que o crescimento vai voltar e toda essa queda de juros vai bater na economia. Com isso, o País vai crescer e o Banco Central não vai mais precisar diminuir os juros, e a inflação vai estar perto da meta”, explicou. “Nesse cenário, não há, para nós, tanta oportunidade para posições pré-fixadas, ou seja, aplicadas em taxas de juros.”

Taxas

Quem quer ingressar nos fundos de investimento multimercado deve estar atento a pelo menos três itens, diz Érica Santos: taxas de administração, de performance e de saída. “Normalmente, a taxa de administração varia entre 1,5% e 2% ao ano. Na taxa de performance costuma-se utilizar algum tipo de índice, como o Ibovespa por exemplo. Se esse multimercado ultrapassar o Ibovespa, você paga, normalmente 20% da sua rentabilidade. E também há fundos multimercado que cobram taxa de saída, caso você resgate seu investimento. Além disso, se você ficar menos de 30 dias no investimento, precisará pagar Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).”

A cada seis meses, o investidor de fundos se depara com o come-cotas. Trata-se da antecipação do recolhimento do Imposto de Renda (IR) sobre os rendimentos dos fundos que ocorre a cada seis meses, sempre nos últimos dias de maio e novembro.

“O come-cotas reduz o número de cotas dos investidores de acordo com a alíquota do IR”, explicou Érica. Para os fundos de curto prazo, o IR varia de 20% a 22%; já para os de longo prazo, a tributação vai de 15% a 22,5%.

Risco

O investidor começa a experimentar um pouco de risco com os fundos imobiliários, enquanto opções como a caderneta de poupança e parte dos fundos DI perderam a capacidade de repor a inflação. Os CDBs estão em queda livre, mas títulos vendidos por bancos de médio e pequeno portes ainda superam a inflação. A poupança, que rendia 3,85% ao ano recuou para 3,43%. 

O retorno dos três tipos de papel do Tesouro Direto (Selic, IPCA e os prefixados) está em queda. Os mais indicados são os de longo prazo, atrelados ao índice oficial de inflação, o IPCA.

Com a perspectiva de melhora no ambiente de negócios, gestores recomendam o investimento em ações – a Bolsa de São Paulo registrou resultado recorde na semana passada --, mas o setor tem forte oscilação. Os fundos de imóveis têm registrado bons resultados, com alta de até 24,36% nos últimos 12 meses. 

 

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