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Multinacionais brasileiras já investiram mais de US$ 8 bi no exterior este ano

Retomada. Número contrasta com o do ano passado, quando, por causa da crise, empresas pararam de investir e repatriaram cerca de US$ 10 bilhões; previsão do Banco Central para este ano é que os investimentos lá fora cheguem a US$ 15 bilhões

Edna Simão, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2010 | 00h00

Com o real valorizado e sempre correndo atrás de custos de produção e exportação mais baixos, as multinacionais brasileiras investiram no exterior, de 1.º de janeiro até a última terça-feira, nada menos que US$ 8,311 bilhões. Só nos primeiros 25 dias de maio, foram aplicados US$ 2,748 bilhões lá fora pelas empresas - um valor maior que o Investimento Estrangeiro Direto (IED) no Brasil, que foi de US$ 1,3 bilhão no mesmo período de maio.

O aumento dos investimentos fortalece a competitividade desses grupos nacionais, mas também contribui para a deterioração das contas externas. No acumulado deste ano, o País recebeu US$ 9,180 bilhões em investimento estrangeiro. A previsão do Banco Central (BC) para 2010 é que os brasileiros apliquem US$ 15 bilhões lá fora.

Os dados do BC sobre o setor externo mostram que os investimentos da múltis brasileiras têm se concentrado nos setores alimentício, de metalurgia, serviços financeiros e obras de infraestrutura. O dinheiro vai para os Estados Unidos, França, Portugal, Chile e Argentina.

Atento a esse movimento, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabeleceu que os brasileiros com mais de US$ 100 milhões no exterior têm de fazer uma declaração trimestral sobre o capital que estiver em outros países - antes, essa prestação de contas acontecia com frequência de uma vez por ano.

Em 2009, o impacto da crise econômica mundial obrigou as empresas brasileiras a adiar investimentos previstos para o exterior e a trazer cerca de US$ 10 bilhões para o País. Neste ano, pelos cálculos do Banco Central, as múltis nacionais devem aplicar algo em torno de US$ 15 bilhões no exterior. A fabricante de motores elétricos WEG anunciou esta semana a primeira aquisição feita no exterior depois da crise, de empresas da África do Sul e do México (ver abaixo).

Apesar da pressão adicional sobre as contas externas, no curto prazo, dependendo dos ganhos lá fora, os recursos voltarão na forma de lucro e dividendos.

Ganho de escala. Na avaliação do Banco Central, o aumento dos Investimentos Brasileiros Diretos (IBD) tem a ver com o interesse de as multinacionais brasileiras ganharem escala no exterior. Desde 2006, essas empresas têm investido forte na internacionalização. Após o boom de 2008, quando as multinacionais aplicaram mais de US$ 20 bilhões no exterior, o processo foi interrompido em 2009 por causa da crise econômica global. Com a melhora do cenário externo, as múltis estão tirando os projetos da gaveta para ampliar a presença em outras economias.

Esse movimento, segundo o ex-diretor do Banco Central, Carlos Thadeu de Freitas Gomes, que atualmente é economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), é incentivado pelo real valorizado, o que reduz a competitividade dos produtos brasileiros. Aplicando em plataformas de exportação em outros países, as multinacionais conseguem reduzir esses custos.

Além disso, em algumas economias, as companhias brasileiras podem ter um custo de financiamento menor, até porque a tendência é que a taxa básica de juros (Selic), atualmente em 9,5% ao ano, deve continuar subindo nos próximos meses.

Menos incertezas. O estrategista-chefe do banco WestLB, Roberto Padovani, concorda que o real forte estimula a saída de dólares do País. "As incertezas diminuíram e as empresas retomaram as estratégias para ficarem mais competitivas no exterior", explicou. Ele disse ainda que a saída de recursos piora as contas externas no curto prazo mas isso não é preocupante porque, futuramente, haverá retorno via remessas de lucros e dividendos. "Esse movimento acompanha o ritmo de crescimento da economia", frisou.

O pesquisador da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Pedro Augusto Godevez da Silva, destacou que, por conta da crise, os projetos de internacionalização das empresas brasileiras ficaram no segundo plano.

Agora, com a recuperação da economia mundial, esse cenário mudou. "Passada a crise, as companhias brasileiras estão vendo uma nova oportunidade para intensificar a presença lá fora", afirmou o pesquisador.

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