Multinacionais de alimentos entram na guerra do etanol

Preocupadas com o aumento dos preços das commodities, empresas apelam por restrições ao etanol brasileiro

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

20 de junho de 2008 | 16h17

Alarmadas pelos preços das matérias-primas (commodities) e seus impactos sobre seus produtos, as principais multinacionais do setor de alimentos e bebidas entram na guerra do etanol, pedem que os europeus abandonem a meta de expansão da produção e apelam para que restrições ambientais sejam impostas contra o produto brasileiro que entrar no mercado europeu. Veja também:Entenda a crise dos alimentos   Empresas rivais como a Nestlé, Danone, Mars, Pepsico, Heineken e Kellogg's se uniram para entregar nesta semana uma carta aos 27 governos europeus pedindo que o bloco reveja sua decisão de expandir o uso do etanol na Europa. Bruxelas quer que os governos adotem medidas para garantir que, até 2020, 10% da frota de carros esteja sendo alimentada pelos biocombustíveis. Assim, a iniciativa das multinacionais do setor dos alimentos se une a outra das empresas de petróleo que passam a sugerir que a solução para a crise energética e ambiental seja o desenvolvimento de novas tecnologias, e não de novos combustíveis. A preocupação das multinacionais mais poderosas do setor não é nem o meio ambiente e nem a questão energética, mas garantir que as matérias-primas que elas usam para fabricar seus produtos não sofram mais aumentos. Nos últimos meses, a Nestlé vem alertando que a alta nos preços de algumas commodities a obrigou a rever para cima o preço de pelo menos mil produtos que a empresa comercializa pelo mundo. A reivindicação das multis é para que a expansão do etanol na Europa seja abandonada. "Há um consenso internacional surgindo de que o mercado emergente de etanol está gerando uma demanda por commodities e que isso está sendo o principal novo fator para a alta recorde dos preços", afirma a carta, que cita o Fundo Monetário Internacional (FMI) e outras instituições.

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