Márcio Fernandes/ Estadão
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Multinacional chilena admite plantio irregular de eucalipto no RS

Dos 200 mil hectares na região de Guaíba (RS), metade é feita em área proibida de ser adquirida por estrangeiros, segundo o secretário-geral da companhia

Rodrigo Cavalheiro, O Estado de S. Paulo

29 de fevereiro de 2016 | 10h47

A multinacional chilena de papel e celulose CMPC planta eucaliptos em 200 mil hectares na região de Guaíba (RS). Metade desse cultivo é feito em área em situação irregular, segundo o secretário-geral da companhia, Gonzalo García. A declaração do executivo veio após um encontro de 30 minutos, no sábado, entre empresários e a presidente Dilma Rousseff, em Santiago, no Chile, onde ela fez visita oficial a Michelle Bachelet. 

García quer que o governo flexibilize a lei que limita a aquisição de terras por estrangeiros, que emperra a compra de 100 mil hectares em que a CMPC já planta árvores para atender a capacidade máxima da fábrica, que processa de 2 milhões toneladas de celulose por ano. “Se isso não for resolvido, nem pensar em novos investimentos. Há 100 mil hectares que não pudemos regularizar. É como estar vivendo em uma casa e não poder colocá-la em seu nome, é muito urgente.” 

A legislação sobre venda de terra a estrangeiros é de 1971. Um parecer da Advocacia Geral da União (AGU) tornou o processo mais flexível de 1994 a 2010, quando uma nova decisão da AGU contrariou o entendimento anterior. Entre as limitações está a proibição de aquisição de mais de 25% de um município. Para García, essa legislação “mata” outros investimentos pelo medo que o Brasil sofra uma “invasão chinesa” – os chineses já compraram grandes quantidades de terra produtivas em países africanos, por exemplo.

O ministro do Desenvolvimento, Armando Monteiro, mostrou-se sensível ao apelo. Disse que o governo buscará formas de diferenciar empresas como a CMPC, controladora da Celulose Riograndense.

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