Alisson Demetrio
Alisson Demetrio

Multinacional investe R$ 60 milhões para produzir vitaminas em goma no interior de SP

Espanhola Sanchez Cano, que já produz balas nessa fábrica, quer transformar o País em base de exportação de suplementos para a América Latina e Europa

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2019 | 13h16

Em meados deste ano, a multinacional espanhola Sanchez Cano começou a fabricar suplementos vitamínicos em goma no Brasil. Há 19 anos no País produzindo balas de goma com a marca Fini, a companhia investiu R$ 60 milhões, de recursos próprios, numa nova linha de produção dedicada a suplementos. Também constituiu uma nova empresa só para isso. 

O produto será fabricado na unidade de Jundiaí (SP), onde já são produzidas as guloseimas. Inicialmente os suplementos vitamínicos de vitaminas C e D e complexos que reúnem várias vitaminas na forma de goma com a marca Dr.Good serão vendidos no mercado interno. A partir de 2021, o Brasil vai virar uma base de exportação de suplementos em goma para América Latina e Europa, onde o segmento de vitaminas na forma de gomas é também pouco explorado. 

“O consumo de suplementos vitamínicos na forma de gomas é um mercado que nos Estados Unidos supera o de vitaminas por meio de comprimidos”, diz Donizete Ferreira, diretor geral da Dr.Good, a nova empresa do grupo. No Brasil, no entanto, está só começando.

Segundo Synésio Batista da Costa, presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Suplementos Nutricionais e Alimentos para Fins Especiais (Brasnutri), o mercado ganhou impulso após a aprovação do novo marco regulatório do setor de suplementos alimentares negociado o ano passado com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no qual novos ingredientes foram aprovados para serem adicionados aos produtos. “Antes havia uma restrição de cerca de 700 ingredientes”, afirma o presidente da Brasnutri.

Mercado bilionário

Em 2018, o mercado de suplementos vitamínicos no Brasil movimentou R$ 1,96 bilhão. Nos últimos cinco anos cresceu, em média, dois dígitos a cada ano, segundo a associação do setor. A perspectiva é que, com as novas regras, esse ritmo de crescimento se acelere, diz Synésio. 

Nos Estados Unidos os números do setor são superlativos. As vendas no varejo de vitaminas em geral, não apenas goma, devem movimentar neste ano US$ 12,259 bilhões, segundo projeção da Euromonitor Internacional, provedor de pesquisa de mercado. O crescimento médio anual é 4,3% nos últimos cinco anos. 

Ferreira, da Dr.Good, não revela a capacidade de produção de suplementos em goma da empresa porque existem concorrentes estreando no setor. Mas a meta é que, em três anos, os suplementos respondam por 10% do faturamento do grupo no Brasil. O País responde hoje pela metade das vendas da Sanchez Cano no mundo que devem somar 300 milhões de euros este ano. Com fábricas e representações comerciais, o grupo está presente em cem países, mas as vitaminas em goma foram desenvolvidas no Brasil, depois de três anos de pesquisas. “O País é um polo de inovação para o grupo”, diz o presidente.

Para tocar a produção, a empresa contratou 120 trabalhadores. Inicialmente serão fabricados sete produtos e no ano que vem estão programados mais cinco. Ferreira conta que fechou parceria com o laboratório DSM, a maior provedora de vitaminas do mundo. A empresa desenvolveu as misturas que suportam altas temperaturas e são acrescidas às gomas.

A empresa diz que o preço das gomas é entre 10% r 15% menor em comparação com o das vitaminas em comprimido. As gomas já estão sendo vendidas em farmácias e não precisam de prescrição médica. “Mas elas não podem ser consumidas como guloseima e tem de ter a orientação de um nutricionista ou clínico geral”, ressalta Ferreira. 

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