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Múltis aceleram remessa de lucros

Crise leva filiais, principalmente de bancos e montadoras, a enviarem US$ 5 bilhões para as sedes, novo recorde para o mês de agosto

FERNANDO NAKAGAWA, EDUARDO RODRIGUES, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2011 | 03h06

Multinacionais instaladas no Brasil aceleraram a remessa de lucros em agosto. Em meio à piora da crise, filiais brasileiras enviaram US$ 5,1 bilhões às sedes, recorde para o mês desde o início da coleta de dados feita pelo Banco Central em 1947.

Em setembro, as transferências diminuíram temporariamente pela disparada do dólar, o que prejudica a conversão do lucro em moeda estrangeira. Mas as cifras devem voltar a crescer nas próximas semanas porque, tradicionalmente, empresas elevam as remessas no fim do ano.

Exatamente como aconteceu na crise de 2008, multinacionais voltaram a pedir ajuda para as filiais. Com graves problemas nas economias dos países sedes, as unidades que dão lucro - como as brasileiras - precisam transferir mais dólares para ajudar no balanço das empresas.

Em agosto, foi o que aconteceu: as remessas saltaram 180% na comparação com julho e 103% ante agosto de 2010.

"Há uma explicação estrutural que é o maior investimento estrangeiro, o que aumenta o potencial de remessas. Mas a crise de 2008 também nos ensinou que há um fator conjuntural, que é a necessidade das sedes das multinacionais", diz Luís Afonso Lima, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet).

Segundo os dados do BC, o setor que mais remeteu lucro em agosto foi o financeiro, com US$ 954 milhões.

Especialmente na Europa, bancos têm sofrido com a crise e a chance de que um eventual calote da Grécia pode afetar os negócios. Além dos bancos, montadoras também tiveram papel importante e enviaram US$ 845 milhões às sedes.

Por mercado, os Países Baixos lideraram as transferências e foram destino de US$ 1,19 bilhão que deixou o Brasil em agosto. Em seguida, aparecem Estados Unidos, Reino Unido e Espanha.

O BC reconhece que o volume enviado pelas multinacionais foi maior que o esperado. O recorde, porém, não é necessariamente uma surpresa. "É natural porque o estoque de investimento estrangeiro tem crescido de maneira robusta. Além disso, o bom desempenho da economia brasileira se traduz em lucro", disse o chefe do departamento econômico do BC, Túlio Maciel.

"Não dá para afirmar que o comportamento caracterize movimento gerado apenas pela crise", disse ele.

Com as remessas recordes em agosto, o rombo das contas externas foi maior que o previsto: US$ 4,86 bilhões no mês passado. O saldo negativo nas transações entre o Brasil e os demais países foi maior que a previsão do mercado, que previa déficit entre US$ 2,2 bilhões e US$ 4,3 bilhões. O resultado negativo, porém, foi integralmente coberto pelo Investimento Estrangeiro Direto (IED), em produção, que somou US$ 5,6 bilhões em agosto, recorde para o mês.

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