Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Múltis elevam investimentos no País

Brasil atrai 3,4% do investimento produtivo global, o melhor resultado desde 1998; mesmo assim, cresce o rombo nas contas externas

Raquel Landim / SÃO PAULO, Fabio Graner / BRASÍLIA e Fernando Nakagawa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2010 | 00h00

O Brasil vai ficar com 3,4% do fluxo de investimento produtivo global este ano - a maior taxa da década. As multinacionais estão trazendo ao País US$ 38 bilhões para construir novas fábricas e investir em infraestrutura. Só que mesmo isso não compensará o rombo nas contas externas, que pode chegar a US$ 49 bilhões.

O volume de investimento estrangeiro direto (IED) no País previsto para 2010 supera os US$ 25,9 bilhões de 2009 e recupera o patamar de 2007. É inferior apenas ao recorde de US$ 45 bilhões de 2008. Em termos relativos, porém, o desempenho só foi melhor no período das privatizações. Em 1997 e 1998, o País atraiu 3,9% e 4,1% dos investimentos diretos do mundo.

O investimento estrangeiro na produção somou US$ 3,73 bilhões em novembro, o segundo melhor para o mês da história. O ingresso mais forte de capital produtivo nos últimos meses fez o BC elevar a projeção de IED para 2010 de US$ 30 bilhões para US$ 38 bilhões. "Ouso dizer que esse número pode até ser superado", disse Altamir Lopes, chefe do departamento econômico do BC. Para ele, o desempenho dos últimos meses sinaliza que é "factível" esperar entradas de US$ 45 bilhões em IED no próximo ano, projeção que foi mantida pela autoridade monetária.

O forte ritmo da economia, que foi pouco atingida pela crise, funcionou como um ímã para as múltis. "Com os fluxos de capitais ainda retraídos e as matrizes repatriando recursos, é um excelente resultado", disse Luis Afonso Lima, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transacionais e da Globalização Econômica (Sobeet).

Outro fator relevante é o fraco desempenho global, provocado pela incipiente recuperação dos EUA e da Europa. Devem circular pelo planeta US$ 1,1 trilhão em investimentos produtivos este ano, mesmo nível de 1999 e muito abaixo do pico de US$ 2,1 trilhão de 2007. Segundo a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), os fluxos globais só vão recuperar o terreno em 2015.

Por causa da crise, a origem dos capitais mudou. Estão se destacando Suíça (16,9% do total), Países Baixos (12,3%) e Áustria (8,9%). As empresas usam subsidiárias para aproveitar os acordos bilaterais e proteger seus investimentos. Os analistas acreditam que boa parte desses capitais venha da Ásia.

Boa parte dos investimentos vai para os setores de recursos naturais. De janeiro a novembro, agricultura, mineração e petróleo receberam 43% do total, ante 27% no mesmo período de 2009.

Apesar do excelente desempenho, pela primeira vez, o IED não vai compensar o déficit em conta corrente, provocado pela alta do consumo e das importações. Para Antonio Correa de Lacerda, da PUC-SP, se nada for feito, o rombo pode dobrar e chegar a US$ 100 bilhões em 2012. "A velocidade de deterioração é impressionante."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.