Multis européias estão adiando investimento no Brasil

As principais e maiores multinacionais européias estão mesmo postergando os investimentos programados para o Brasil em função da pouca perspectiva de crescimento econômico. A informação é do presidente do Fórum Empresarial Mercosul União Européia, Ingo Plöger. "O que eu tenho notado é que o investidor alemão e europeu, de uma forma geral, vem observando o cenário macroeconômico do País de forma favorável, até porque os principais fundamentos econômicos no primeiro semestre foram melhores do que se esperava", disse Plöger à Agência Estado. Mas, acrescentou o empresário, que por alguns anos foi também presidente da Câmara de Comércio Brasil Alemanha, o cenário conjuntural é que tem despertado maior preocupação, principalmente depois que a demanda interna vem mostrando sinais de encolhimento. "Essa preocupação começa a se acentuar, principalmente com a idéia de que as perspectivas de crescimento são quase nulas", afirmou o empresário. Por isso, acrescentou Plöger, "a reivindicação do setor produtivo nacional e estrangeiro para uma redução maior dos juros, já que o corte de 1,5 ponto porcentual na taxa Selic na semana passada foi muito conservador por parte do Banco Central". Para o empresário, a grande discussão hoje é se o remédio aplicado pelo BC para controlar a inflação está ou não sendo forte demais, provocando efeitos colaterais na saúde da economia do País. Plöger disse ainda que, diante desse quadro de baixo crescimento seria necessário dar sustentabilidade a alguns setores-chave da economia para evitar que o País entre em recessão. "Precisamos discutir o varejo, porque o atacado anda bem", afirmou o presidente do Fórum Empresarial, ao se referir às linhas gerais da política econômica. Indagado se a tensão social poderia se transformar em um fator a mais a ser observado pelos investidores para tomar as suas decisões de negócios, Plöger respondeu que, no momento, não. "As manifestações democráticas são vistas com naturalidade. Mas o que é prejudicial para a imagem de um país são os excessos que podem ir além da legalidade", comentou.

Agencia Estado,

30 Julho 2003 | 16h24

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