Mundo corre risco de retorno da inflação, diz FMI

O relatório do Fundo Monetário Internacional sobre o panorama mundial, lançado nesta quinta-feira em Washington, alerta para os riscos de um possível retorno da inflação nos próximos anos. Os economistas do FMI afirmam que a globalização contribuiu para que inflação ficasse baixa em todo o mundo nos últimos anos - principalmente com a transferência de produção de bens para alguns países que permitiu a manutenção dos juros baixos -, mas dizem que não existem garantias de que isso vai continuar acontecendo no futuro. "A globalização foi muito benéfica e os bancos centrais foram muito eficientes em administrar a inflação nos últimos dez anos, mas terão de trabalhar muito mais agora", disse o economista-chefe do FMI, Raghuram Rajan. "A pressão inflacionária tem que ser vista com cuidado", afirmou numa teleconferência, em Washington, uma semana antes da reunião de primavera da organização. Aumento de preços De acordo com o estudo, a globalização reduziu a inflação nos países desenvolvidos em torno de 0,25 ponto porcentual ao ano na última década, com um efeito ainda maior, de até 0,5 ponto, nos Estados Unidos. Os economistas alertam que com o forte crescimento econômico previsto para os próximos anos pode resultar no aumento dos preços dos produtos importados "e obrigar a um maior aperto monetário do que o esperado atualmente pelos mercados financeiros". O documento do Fundo também trata dos desequilíbrios nas contas públicas com o aumento do preço do petróleo nos últimos anos. A previsão é que o produto se mantenha nos níveis atuais, em torno de US$70 o barril, pelo menos pelos próximos dois anos. Os economistas concluem que o efeito da elevação atual dos preços não foi tão grande quanto das crises anteriores, nos anos 70 e 80, mas temem que esta aparente flexibilidade tenha um efeito negativo a longo prazo. "Os ajustes foram menores do que no passado, mas o resultado é que os desequilíbrios estão aumentando em vez de diminuir", afirmou Rajan. Ele diz que os países exportadores, que estão se beneficiando com os ?petrodólares? extras que receberam nos últimos anos estão se mostrando mais cuidados no uso desses recursos do que nas décadas anteriores, justamente a recomendação do Fundo. "Sugerimos cuidados com os gastos e investir no próprio país, na estrutura e em coisas como educação", afirma o economista. Outra parte do documento diz que as empresas do G-7 (sete países mais ricos do mundo) tiveram um aumento recorde dos seus ativos financeiros, contribuindo para o período de taxas baixas de juros nos países desenvolvidos. No período entre 2003 e 2004, as empresas destes países acumularam US$ 1,3 trilhão em ativos financeiros, mais do que o dobro do superávit nos países desenvolvidos e emergentes no mesmo período. De acordo com os economistas do FMI, os principais motivos do aumento dos lucros das empresas são a redução das taxas de juros e dos impostos pagos pelas empresas. "Não trata-se exatamente de um aumento na eficiência na operação do negócio", diz Rajan.

Agencia Estado,

13 Abril 2006 | 14h18

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