Mundo enfrenta guerras comercial e cambial, diz Mantega

Segundo o ministro da Fazenda, governos de países como EUA e Japão estão permitindo a desvalorização de suas moedas a fim de conquistar mercados de países com bom desempenho interno, como é o caso do Brasil

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado ,

27 de setembro de 2010 | 12h54

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta segunda-feira, 27, em palestra na Fiesp que o mundo enfrenta uma "guerra comercial" e uma "guerra cambial". Segundo ele, governos de vários países, incluindo Estados Unidos e Japão, estão permitindo a desvalorização de suas moedas a fim de conquistar mercados de países que apresentam bom desempenho interno de suas economias, como é o caso do Brasil.

Mantega ressaltou que a próxima reunião do G-20 levará as autoridades do grupo à manifestação de que a gestão cambial precisa ser muito mais harmoniosa entre seus participantes. "Eu acho que o câmbio flutuante é o melhor sistema, mas precisa ser flutuante para todo mundo", comentou.

O ministro da Fazenda destacou que a desvalorização de moedas internacionais, como o dólar norte-americano, traz preocupações legítimas às indústrias brasileiras. "Há países usando a vantagem cambial através de artificialismos. Temos de preservar o Brasil o mercado interno", comentou. "Não é justo para nós que conseguimos manter o mercado interno elevado e ele seja aproveitado por outros países."

Política antidumping

Mantega enfatizou que o Brasil precisa ser mais duro na política antidumping para evitar o ingresso de mercadoria de outros países de forma predatória para a indústria nacional.

Ele mostrou que o governo vai ser ainda mais rigoroso para coibir a entrada de produtos estrangeiros que ingressam no País com preços muito baixos, o que caracterizaria dumping. "Temos de ser mais duros na política antidumping para impedir a concorrência desleal", comentou Mantega.

O ministro ressaltou que em função da recessão mundial, o Brasil é um dos poucos países que cresce de forma robusta. Neste sentido, muitas nações que passam por dificuldades tentam vender "a todo custo" seus produtos para o mercado nacional. Mantega destacou que o País deveria ter mais processos antidumping, mas ressaltou que isso depende também das indústrias locais, pois são elas que movem tais queixas junto ao governo na medida em que se sentem ameaçadas por concorrentes estrangeiros.

"Precisamos modificar a legislação (antidumping), torná-la mais rigorosa para que reaja mais rapidamente", comentou. O ministro destacou o exemplo do que ocorre nos EUA, pois, segundo ele, assim que é formalizado um processo antidumping são suspensas as compras das empresas envolvidas e, automaticamente, são impostas sanções aos países que praticaram os atos comerciais desleais.

Mantega participou do seminário "O papel da indústria no crescimento do Brasil", no Teatro do Sesi

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