Mundo espera posição sobre câmbio, diz embaixador

O embaixador do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevedo, disse nesta terça-feira que, depois de ter levantado a discussão sobre desalinhamento cambial ao órgão internacional, o mundo espera uma resposta brasileira a respeito do problema. "Agora o mundo todo olha para o Brasil e pergunta: ''vocês deixaram claro o problema, e agora?''", afirmou Azevedo, durante abertura do seminário Impactos do Câmbio Sobre o Comércio Internacional, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

WLADIMIR D'ANDRADE E FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, Agencia Estado

24 de julho de 2012 | 11h57

Azevedo ressaltou a importância do Brasil em liderar as discussões sobre câmbio no órgão de comércio internacional. "O Brasil tem vários parceiros com câmbio valorizado, mas eles não são ativos", disse. "No momento que o Brasil parar de empurrar a carroça, essa carroça para", completou.

De acordo com o embaixador, o tema do câmbio enfrenta muita resistência na OMC porque diversas nações envolvidas nas discussões estão em uma posição de conforto em relação à taxa de câmbio no comércio internacional. "É muito difícil manter uma dinâmica nessa discussão porque há muita resistência", afirmou. "Quem está em situação confortável não quer entrar na zona de desconforto".

O 3º vice-presidente da Fiesp e CEO da Coteminas, Josué Gomes da Silva, que participou de painel na OMC na discussão cambial, afirmou que o debate ainda está na fase de quebrar resistências e que levará tempo para a construção de uma opinião internacional sobre o tema. "Presenciei no painel da OMC uma ríspida troca de acusações entre China e Estados Unidos. Isso mostra que, mesmo longe de um consenso, há um reconhecimento do problema", contou. "Essa discussão leva tempo. Veja que até hoje não conseguimos resolver a Rodada Doha", exemplificou.

Durante abertura do seminário, Gomes da Silva disse que o Brasil deveria apoiar uma candidatura brasileira na renovação da cúpula da OMC. Deixou claro sua preferência por Azevedo, a quem se referiu como uma "jovem liderança brasileira".

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