Mundo estava em modo de alta no início da crise, diz Greenspan

Segundo o ex-presidente do Fed, sérias mudanças de crédito 'apenas aguardavam para acontecer'

Nalu Fernandes, da Agência Estado,

10 de outubro de 2007 | 16h36

A crise dos mercados financeiros começou em agosto pegando o mundo em um "modo de alta", ou seja, em boas condições, na avaliação do ex-presidente do Federal Reserve (Fed) Alan Greenspan. Falando para uma platéia de cerca de cinco mil executivos, ele acrescentou que "sérias mudanças de crédito apenas esperavam para acontecer" .  A razão, cita Greenspan, é que os mercados financeiros indicam baixos níveis de indicadores de risco. "Como mostra a História, baixo nível de risco não dura muito. O risco estava subprecificado", afirmou.  Outro assunto abordado pelo ex-presidente do Fed foi a bolha nos preços dos imóveis. De acordo com ele, o fenômeno deve continuar e não apenas nos EUA. O ex-chairman cita que os bancos centrais globais não têm controle sobre os juros de longo prazo, o que deve continuar alimentando bolhas.  Um outro fator que afeta o nível dos juros de longo prazo é o tamanho dos déficits nos EUA. No futuro, "as bases dos déficits nos EUA vão se mostrar um grande problema. E nós não temos mais os baby boomers", afirmou, em referência à geração nascida depois da Segunda Guerra. "Quando mais adiarmos (o gerenciamento dos déficits), mais difícil será a solução", completou.  Com relação aos imóveis, Greenspan também cita problema com as taxas de hipotecas, exatamente pelo fato de os BCs, incluindo o Fed, não conseguirem controlar o fim da curva de juros, controlada em grande medida pelos participantes do mercado. Desta forma, Greenspan cita um ciclo que se auto-alimenta, "a queda dos preços dos imóveis vai reduzir o juro de longo prazo para baixo em todo o mundo", pondera. "E, por termos perdido o controle do fim da curva de juros, a bolha de imóveis vai continuar". Sobre a onda mais recente de instabilidade testemunhada pelos mercados e a pouca perturbação sofrida por grande parte dos emergentes neste período, ele pondera que, no futuro, é possível que tenhamos grande entrada do FMI para crises que não vemos agora. Atualmente, o ex-chairman reconhece que os países conseguem acesso aos mercados de capital e não precisam do FMI. Greenspan cumpriu cinco mandatos como presidente do Federal Reserve e participa da quarta edição do World Business Forum 2007, realizado no Radio City Music Hall, em Manhattan.

Tudo o que sabemos sobre:
Crise de mercadosGreenspanFed

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.