Mundo não acabou com a crise e agora vem o álcool

O tema desta coluna é motivado pela onda de e-mails que recebi dos ambientalistas fanáticos.Eles condenam, com veemência inusitada, a defesa que fiz do etanol como fonte limpa de geração de energia em substituição parcial do petróleo - altamemente poluente e com preços estratoféricos controlados por uma dúzia de países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).CRISE PASSOU, SENHORESAntes, porém, quero acalmar o leitor e fazer um balanço sobre como anda o mundo hoje, em meio ao contraste doloroso entre progresso no mundo ocidental e violência em algumas regiões populosas onde o povo vive prisioneiro de regimes totalitários.Paradoxo? Não. Apenas distorções que punem uma parte considerável da população mundial, mas não afetam o crescimento econômico.Mas será que não seria também distorção estarmos levando em consideração apenas o crescimento econômico sem desenvolvimento e integração social? De novo, não, leitor.É por meio do crescimento econômico, hoje cada vez mais abrangente, que se terá menos miséria. É a economia que nos levará, num futuro bem próximo, a distribuir riqueza. Isso não se dará pela imposição autoritária e violenta de governos inspirados em doutrinas pseudosociais há decadas superadas.Os mercados financeiros acalmaram, as bolsas batem recorde em cima de recorde e só recuam porque todos voltaram a ganhar, vendendo na alta. A crise que não era nenhuma tragédia, está indo embora e a vida volta a ser como antes.US$ 1 BILHÃO POR MÊS!!!E agora, ao etanol dos meus raivosos leitores ambientalistas. Alguns não entenderam bem a última coluna. Há dois aspectos da mesma questão:1 - O subsídio dos países desenvolvidos, Estados Unidos e Europa, ao plantio de milho, beterraba e cana-de-açúcar para produzir etanol. Esse subsídio tem um duplo efeito nocivo. Primeiro, estimula o plantio de cana, milho e beterraba para produzir etanol. Segundo, como conseqüência, reduz a área destinada à produção de alimentos, o que provoca uma alta dos seus preços.2 - O subsídio indireto, sob a forma de imposição de taxas na importação de etanol produzido pela cana-de-açucar em outras regiõs a custos menores. Isto é, temos um subsídio ao ''''custo'''' da produção e um subsídio disfarçado ao ''''preço'''' final para proteger cultivos e comercialização menos produtivos.Só subsidiando fortemente os preços é que o etanol de milho,cana-de-açúcar e beterraba dos países desenvolvidos pode competir com o etanol importado produzido em áreas e climas mais favoráveis.O correspondente do Estado em Genebra, Jamil Chade, informa à coluna:1 - Estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) - que congrega as 30 nações mais ricos do mundo - confirma que esse países gastam US$ 1 bilhão por mês, US$ 333 milhões por dia (!!!) em subsídio ao plantio e comercialização de cana-de-açúcar, milho e beterraba destinados à produção de etanol;2 - Só nos Estados Unidos, US$ 7 bilhões por ano;3 - A União Européia impõe uma tarifa de proteção para tornar o seu etanol economicamente menos inviável de, acreditem, 70%. E isso mesmo sabendo que o etanol de cana-de-açúcar custa apenas US$ 35 e o de milho, US$ 65!AGORA OS AMBIENTALISTASAos meus caros leitores revoltados, deixo a pergunta: os senhores querem, que os Estados Unidos, a Europa e, mais gravemente, a China continuem poluindo tremendamente a atmosfera com toneladas de gás carbônico por minuto, num inapelável cenário de catástrofe, ou que se continue plantando cana-de-açúcar?Um plantio muito mais facilmente controlável do que impedir que os vários milhões de veículos que entram em circulação a cada ano continuem destruindo o ar que que respiramos e provocando o catastrófico aquecimento ambiental?É isso o que os senhores querem???Podem mandar mais e- mails se tiverem argumentos. Mas, por favor, e-mails civilizados e não ferozes como os que tenho recebido.*E- mail: at@attglobal.net

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