Mundo precisa de revolução energética, diz AIE

Agência diz que é preciso investir US$ 45 bi em tecnologia até 2050 para reduzir à metade as emissões de CO2

Efe,

06 de junho de 2008 | 11h24

O mundo precisa investir pelo menos US$ 45 bilhões em tecnologia até 2050 para reduzir à metade as emissões globais de CO2 na atmosfera, segundo um relatório publicado nesta sexta-feira, 6, em Tóquio pela Agência Internacional da Energia (AIE). Segundo o diretor-executivo da AIE, Nobuo Tanaka, seria necessário "uma nova revolução energética global" que transformasse completamente "o modo como produzimos e utilizamos energia".   O relatório, intitulado "Perspectivas de Tecnologia de Energia 2008", estima que futuramente o investimento necessário para alcançar esse objetivo deveria ser elevado para US$ 1,1 trilhão, o que representa 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) global. A AIE considera que o objetivo de reduzir à metade as emissões de CO2 até 2050 é um "desafio formidável", levando-se em consideração o provável aumento da demanda por energia de países como China, Índia e outras economias emergentes.   Segundo a Agência, se os governos continuarem com as políticas em vigor atualmente, as emissões de CO2 aumentarão em 130% e a demanda por petróleo, em 70%. No entanto, sugere alguns passos com os quais seria possível alcançar o objetivo.   De acordo com o relatório, entre 2010 e 2050 deveriam ser instalados, a cada ano, novos equipamentos que captassem CO2 em 25 usinas de energia de gás e 35 de carvão, com um custo de US$ 1,5 bilhão cada. A AIE acrescenta que anualmente deveriam ser construídas 17.500 turbinas eólicas e 32 usinas de energia nuclear em todo o mundo.   A entidade elaborou um plano com o qual seria possível alcançar o objetivo: 36% da redução seriam possibilitados graças a uma maior eficiência no uso da energia; 21% devido ao uso de energias renováveis; 19% pela captação de CO2; e 24% pela eficiência na geração de energia.   O relatório assinala também a necessidade de reduzir as emissões de carbono que são geradas pelo setor de transporte e afirma que este é "o passo mais difícil, devido ao rápido crescimento da demanda e ao potencial limitado da tecnologia atual".   "Para alcançar a meta de redução em 50% das emissões (...), precisamos de uma ação política imediata e uma transição tecnológica em uma escala sem precedentes", diz o texto, que enumera as tecnologias que serão fundamentais para o futuro da energia.   A AIE garante que os pontos principais para um futuro energético sustentável incluem a captação de CO2 por parte das indústrias, o desenvolvimento de uma eletricidade que polua menos, a captação de energia solar e de uma segunda geração de biocombustíveis.   O relatório deseja uma "ação imediata", que implicará em fundos adicionais de entre US$ 100 bilhões e US$ 200 bilhões anuais durante a próxima década, e que deverão subir para US$ 1 trilhão ou US$ 2 trilhões nas décadas seguintes.   Com o documento, a AIE responde à solicitação dos presidentes do Grupo dos Oito (G8, sete países mais ricos do mundo e a Rússia) de propor perspectivas para cumprir as metas energéticas até 2050.  Estas e outras propostas servirão como base dos diálogos que serão tratados na cúpula do G8 em Hokkaido, entre os dias 7 e 9 de julho.

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