Mundo precisa parar de crescer para déficit dos EUA cair

O problema do alto déficit em conta corrente dos Estados Unidos com o exterior não se resolverá sem uma redução do crescimento mundial, disse há pouco o deputado federal e ex-ministro da Fazenda Delfim Netto (PMDB-SP). O economista disse que diante disso "não podemos continuar brincando com a taxa de câmbio". Segundo Delfim a política monetária está usando a taxa de câmbio para controlar a inflação, o que considerou como um erro.Delfim observou que quem faz grande superávit comercial hoje é a China. "Ele faz a dívida nos Estados Unidos (pelo déficit americano) e depois compra a dívida dos Estados Unidos (para as reservas chinesas) para dizer: ´fica tranqüilo que estou te financiando´", disse Delfim. O deputado afirmou que qualquer desvalorização do dólar reduzirá as reservas internacionais chinesas "e se tentar vender (dólares ou títulos americanos das reservas da China) é pior", afirmou. O deputado disse que a vulnerabilidade externa do Brasil diminuiu com o aumento das exportações nos últimos anos, mas que essa dinâmica foi fortemente influenciada pelo grande crescimento da economia mundial. Ele ironizou: "Uma coisa me intriga - o Brasil garante que os fundamentos são sólidos e o setor privado está quebrando", afirmou. O deputado disse também que o Brasil chegou a um ponto em que "o Estado não cabe no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro". Segundo Delfim, "como não há como aumentar o PIB, só há uma saída: é cortar o Estado". O ex-ministro fez as afirmações em palestra no I Encontro Nacional de Comércio Externo de Serviços, promovido pela AEB, pelo ministério do Desenvolvimento e pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). Crescimento Ainda segundo o economista, a economia norte-americana reduzirá sua taxa de crescimento para cerca de 2% ou 1,5% como forma de reduzir o seu déficit em conta corrente com o exterior, que já supera 7% do PIB dos Estados Unidos. Delfim não disse quando essa redução deverá ocorrer. De acordo com ele, nenhum déficit do tamanho que é o americano já foi superado sem uma grande desvalorização "que está acontecendo", e uma grande desaceleração da economia. De acordo com ele, não deve ser necessária uma recessão, mas apenas a redução da taxa de crescimento. O deputado afirmou ainda que a inflação "realmente se estabilizou e é muito provável que o Brasil tenha inflação abaixo de 4%". Ele observou porém que o processo de redução da inflação no Brasil desde 1994 criou outros problemas como o aumento da dívida pública e da carga tributária.

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