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Mundo vai parar em 2009, prevê FMI

Fundo vê ritmo global perto de zero este ano, mas projeta 2010 melhor

Fernando Dantas, DAVOS, O Estadao de S.Paulo

31 de janeiro de 2009 | 00h00

A economia global está se aproximando da parada total em 2009, mas há uma razoável expectativa de recuperação em 2010. O Fundo Monetário Internacional (FMI) pode rever para baixo a sua atual projeção de crescimento da economia global para 2009, que já é de apenas 0,5%, o pior resultado desde a 2ª Guerra Mundial. Para 2010, no entanto, a projeção é de que o mundo retorne à tendência normal de crescimento. As informações foram dadas ontem pelo vice-diretor-gerente do FMI, John Lipsky, durante o último grande painel sobre as perspectivas da economia mundial no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. Segundo Lipsky, a tendência de revisão da projeção de crescimento do mundo em 2009, no momento, é para baixo."Notícias econômicas novas ainda serão notícias ruins durante algum tempo", disse Lipsky. Apesar do pessimismo completo sobre o desempenho global em 2009, o painel indicou alguma luz no fim do túnel para 2010, mas que depende de um grau inédito de coordenação econômica e financeira entre a comunidade das nações. O primeiro grande teste dessa cooperação será a reunião de cúpula do G-20 em Londres, no dia 2 de abril. O G-20 reúne as principais economias desenvolvidas e emergentes, abarcando cerca de 90% do PIB mundial."Antes mesmo da reunião, é preciso dar sinais muitos fortes", disse Christine Lagarde, ministra da Economia, Indústria e Emprego da França, durante o debate. Para Christine, "é preciso escolher três ou quatro pontos e agir em cima deles". Ela frisou que não é suficiente "apenas concordar" sobre o que tem de ser feito, o que, para a ministra da Economia, "é relativamente fácil".Houve consenso no debate de que o restabelecimento da confiança no sistema financeiro é fundamental para combater a crise. A tarefa, porém, não é fácil. "A confiança aumenta com a velocidade do crescimento de um coqueiro, e diminui com a velocidade da queda de um côco", sintetizou Montek S. Ahluwalia, vice-chairman da Comissão de Planejamento da Índia, provocando gargalhadas no auditório principal do Centro de Congressos em Davos, onde é realizada a maioria das sessões do fórum.Segundo Lipsky, a primeira grande tarefa para combater crise bancárias, que é a provisão de liquidez, já foi muito bem cumprida pelos bancos centrais. O problema, para o vice-diretor-gerente do FMI, é que ainda falta muito a fazer, por parte dos governos, em relação às duas outras etapas, que são o saneamento dos ativos podres e a recapitalização. Lipsky notou que ainda falta fazer uma injeção de capital global nos bancos de pelo menos US$ 500 bilhões.Outra questão financeira a ser discutida no G-20, menos emergencial, mas importante para evitar novas crises no futuro, são as mudanças no sistema de regulação. Uma das principais propostas que serão preparadas para ser colocada na mesa dos chefes de governo, segundo Gordon Brown, primeiro-ministro da Grã-Bretanha, é a formação de um colegiado de reguladores. Trata-se de desenhar, segundo Brown, "um mecanismo pelo qual nós juntemos os reguladores globais em diferentes áreas nacionais e regionais, para trocar informações numa base diária, e não mensal". Essa falta de comunicação entre os reguladores foi exemplificada por Brown com as hipotecas subprime americanas, o grande estopim da crise, que tiveram metade do seu total vendida para instituições financeiras europeias, sem que houvesse conhecimento do que se tratava. "É esse tipo de problema que pode ser evitado com uma cooperação muito maior por parte dos reguladores." Brown foi entrevistado individualmente pela CNN no auditório principal do Fórum Econômico, depois do debate sobre a economia global.Apesar das projeções sombrias para 2009, a maioria dos debatedores do painel final de economia global aposta que o cenário vai melhorar em 2010. Uma das razões desse relativo otimismo no médio prazo é o volume inédito de estímulo fiscal programado pelas economias do G-20, estimado entre 1,5% a 2% do PIB total destes países. "A maior parte dos pacotes de estímulo que foram aprovados vai ser implementada na próximas semanas", disse Christine Lagarde.Mark Carney, presidente do Banco do Canadá (banco central), se diz mais otimista do que o FMI em relação a 2010 - a projeção de crescimento global do Fundo o próximo ano é de 3%. "As leis da economia continuam válidas", comentou Carney, notando que os níveis sem precedentes de estímulos fiscais coordenados entre os países e de ação conjunta dos BCs provendo liquidez e derrubando os juros terá que fazer efeito na economia real.Outra nota otimista foi de Montek, da Índia, que acha que seu país pode manter o crescimento de 7% este ano, e que a China pode conseguir uma expansão de 8%. "Será difícil, mas vamos tentar 7%", prometeu.FRASESJohn Lipskyvice do FMI"Notícias ainda serão ruins durante algum tempo"Montek S. Ahluwaliada Comissão de Planejamento da Índia"A confiança aumenta com a velocidade do crescimento de um coqueiro, e diminui com a velocidade da queda de um côco"

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