Município se prepara para o pré-sal

Terminal de exportação da Petrobrás é responsável por 25% da arrecadação do município, que também explora o turismo

, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2010 | 00h00

Em frente ao polo do pré-sal da Bacia de Santos, Angra dos Reis quer se valer da posição privilegiada para tirar proveito da exploração da maior jazida petrolífera do País. A economia da cidade vive hoje do turismo, da usina nuclear de Angra dos Reis e do estaleiro Brasfels, além do Terminal da Baía da Ilha Grande (Tebig), da Petrobrás. A ideia da administração do município é incentivar o crescimento da atividade de apoio a plataformas de petróleo em alto mar.

Segundo o secretário de atividades econômicas de Angra dos Reis, Alexandre Tabet, os planos incluem uma ampliação do porto local, com a construção de um terceiro berço e de uma base de apoio petrolífero, com investimentos projetados em R$ 400 milhões. A francesa Technip, que tem contrato para a operação de plataformas para a Petrobrás no pré-sal, é uma das parcerias do projeto, diz ele.

"O porto tem hoje 400 funcionários e esperamos que este número chegue a 2 mil em 2014", conta Tabet. A prefeitura procura ainda um terreno nos arredores da cidade para construir uma área industrial, que funcionaria como uma retroárea do porto, que está localizado no centro da cidade, sem possibilidades de expansão. A topografia do município, espremido entre a serra e o mar, ressalta o secretário, dificulta a abertura de novas zonas urbanas.

Angra está perto de importantes descobertas do pré-sal, como Parati e Carioca, na porção mais ao sul do polo de Tupi. Além disso, a OGX, do grupo do empresário Eike Batista, desenvolve campanha exploratória em águas rasas bem em frente à cidade, trabalho que pode gerar novas oportunidades em caso de descobertas.

O crescimento da economia local está intimamente ligado ao petróleo. Além do Tebig, que é responsável por 25% da arrecadação da prefeitura, o estaleiro Brasfels vem operando em ritmo acelerado na construção de plataformas para a Petrobrás, operação que mantém 7 mil postos de trabalho no município.

Ex-pescadores. "Tem muita gente deixando a pesca para trabalhar em rebocadores. São procurados porque conhecem bem o mar daqui", diz o diretor da Cooperativa dos Produtores de Pescado de Angra dos Reis (Propescar), Júlio Magno Ramos. Os pescadores vão em busca de empregos estáveis, que dependem menos dos humores da natureza, diz.

Angra tem 170 mil habitantes, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2007, último dado disponível no sistema de informações municipais do instituto, a cidade tinha um PIB per capita de R$ 29,6 mil.

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