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Murilo Ferreira, da Vale, é eleito presidente do conselho da Petrobrás

Apesar da hegemonia da União, que indicou Ferreira para o cargo, acionistas minoritários conseguiram, com votação expressiva, se sobrepor aos fundos próximos ao governo na eleição para as vagas de membros independentes no conselho

Fernanda Nunes, Antonio Pita, O Estado de S. Paulo

29 Abril 2015 | 18h18

Atualizado às 20h37 

A Petrobrás confirmou nesta quarta-feira a eleição de Murilo Ferreira, atual presidente da mineradora Vale, como presidente de seu conselho de administração. A eleição ocorreu em assembleia de acionistas, no Rio. 

Apesar da hegemonia da União no conselho, acionistas minoritários conseguiram, com votação expressiva, se sobrepor aos fundos próximos ao governo na eleição para as vagas de membros independentes no Colegiado.

De última hora, a União, como acionista majoritária, mudou as indicações para as vagas que cabem ao controlador. O objetivo era garantir a participação de especialistas ligados à área de governança corporativa, uma estratégia para retomar a credibilidade junto ao mercado, arranhada desde o aprofundamento da operação Lava Jato e o atraso de cinco meses na publicação do balanço financeiro.

Na assembleia, os acionistas minoritários questionaram a indicação de Ferreira, alegando conflito de interesses, uma vez que a estatal tem contrato para fornecimento de combustíveis para a Vale. Apesar da reclamação, ele foi nomeado sem restrição. A Petrobrás informou que Ferreira fez uma declaração em que nega o conflito, alegando não ocupar cargo que interfira na parceria.


Além de Ferreira, foram reeleitos como conselheiros o presidente da Petrobrás, Aldemir Bendine, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e Luiz Navarro. Todos já integravam o colegiado. Os novos integrantes são os economistas Luiz Nelson Guedes de Carvalho e Roberto Castelo Branco, e o engenheiro Segen Faria Stefan, professor da Coppe, programa de pós-graduação em engenharia da UFRJ.

Carvalho é doutor em controladoria e contabilidade pela USP e, atualmente, é professor e integra a diretoria da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi). Já Castello Branco foi diretor do Banco Central (BC) e da Vale. Hoje, atua no Centro de estudos e Desenvolvimento e Crescimento da Fundação Getulio Vargas (FGV).

O governo já havia indicado que pretendia conferir aspecto mais técnico ao conselho, após os questionamentos de acionistas e órgãos de controle sobre as indicações políticas para os cargos e suas decisões polêmicas, como a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. À época, o órgão era comandado pela presidente Dilma Rousseff.

Minoritários. Na assembleia, foi confirmada a eleição do representante dos trabalhadores, Deyvid Bacelar. Para as vagas de acionistas minoritários foram eleitos Walter Mendes Filho e Guilherme Affonso Ferreira, ambos indicados pela Associação de Investidores do Mercado de Capitais (Amec).

No conselho fiscal, os indicados da associação foram eleitos para duas vagas, Reginaldo Alexandre e Walter Albertoni. O colegiado também será composto por três indicados da União, Paulo Souza, Marisete Dadald e Cesar Acosta.

A expressiva votação, até por parte de investidores estrangeiros, indica que os acionistas buscaram representantes de perfil independente diante da desconfiança com nomes apontados por parceiros do governo.

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A votação para vagas de minoritários por fundos de previdência de estatais foi questionada. Como as instituições são controladas pela União, o governo poderia influenciar os votos e também a futura atuação no conselho.

Para a Petrobrás, a avaliação da participação cabe aos próprios fundos. “Compete à entidade de previdência complementar privada avaliar se o seu voto sofre influência do acionista controlador. 

Essa entidade deverá estar apta a apresentar, se questionada, elementos que permitam comprovar que não houve a citada influência”, afirmou Francisco Costa e Silva, ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que mediou a assembleia.

Após a manifestação, um representante da Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil (BB), declarou não haver “impedimento ao exercício do voto”. A Previ apoiou os nomes sugeridos pelo Bradesco Asset Manegement, gestora de fundos do banco. 

Sete dias após as indicações, o Bradesco fechou financiamento de R$ 3 bilhões à estatal, o que despertou suspeitas sobre a proximidade e o interesse do banco nas negociações da petroleira.

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