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Mutirão busca renegociar dívidas com lojistas

De olho no movimento do Dia das Mães, bancos, lojas e financeiras estarão no shopping Metro Itaquera para receber clientes com prestações em atraso

MÁRCIA DE CHIARA, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2012 | 03h06

Bancos, lojas e financeiras começam hoje a preparar o terreno para ampliar as vendas do Dia das Mães, a segunda melhor data para o comércio varejista depois do Natal. De hoje até sábado, dez empresas estarão reunidas no estacionamento do shopping Metro Itaquera, na zona leste da capital paulista, para renegociar as dívidas com prestações em atraso de seus clientes.

É a quarta vez que a Boa Vista Serviços, que administra o Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), coordena a "Campanha Acertando suas Contas". "É a primeira vez que fazemos o evento às vésperas do Dia das Mães", diz o presidente da Boa Vista, Dorival Dourado.

O perfil dos devedores inadimplentes é de jovens que tomaram o crédito pela primeira vez. "A maioria é das classes de menor poder aquisitivo (C, D e E)", diz Dourado. O valor médio da dívida é R$ 1.300 e a maioria deve para cartões de crédito (40%), seguidos por bancos (35%) e lojas (25%).

O executivo conta que o número de empresas participantes dobrou em relação ao último mutirão, realizado no Vale do Anhangabaú no fim do ano passado. Neste ano, estarão no evento as Casas Bahia, AES Eletropaulo, Banco Santander, BV Financeira, Bradesco, IBI Financeira, Carrefour Soluções Financeiras, Itaú e Credifibra.

A expectativa é que 70 mil pessoas passem pelo mutirão até sábado. Dourado diz que é difícil projetar o tamanho dos descontos sobre o valor devido oferecidos pelas empresas, mas no evento do ano passado houve reduções de até 50%, além do alongamento nos prazos.

Dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) mostram que a inadimplência do consumidor está em trajetória ascendente, porém muito distante do pico do calote, atingido em 2009. No mês passado, o último dado disponível, a inadimplência líquida atingiu 8,2%. A inadimplência líquida é o saldo dos carnês inadimplentes e renegociados em relação às vendas de três meses anteriores.

O resultado de março foi maior do que o de fevereiro, quando o indicador era de 7,8%. Também foi superior ao de março do ano passado (7,6%) e de março de 2010 (7%). Porém, ficou bem abaixo do índice de calote registrado em março de 2009, que foi 9,2%. "A inadimplência subiu, mas a tendência é de ela se estabilizar neste mês e depois refluir, porque não há desemprego", diz o economista da ACSP, Emílio Alfieri.

Tendência. Também o indicador da Serasa, empresa especializada em informações financeiras, aponta para essa direção. O Indicador Serasa Experian de Perspectiva da Inadimplência do Consumidor recuou 1,3% em fevereiro de 2012. Foi a oitava queda consecutiva, atingindo o patamar de 98,5 pontos.

Segundo o assessor econômico da Serasa Experian, Luiz Rabi, o movimento de arrefecimento do calote vai aparecer nos indicadores de inadimplência no segundo semestre deste ano.

O economista destaca vários fatores que vão contribuir para isso, entre os quais o recuo da taxa básica de Juros, a Selic, a desaceleração dos índices de inflação, a reaceleração da economia e a redução dos juros por parte do sistema financeiro. Por último, ele aponta a maior seletividade dos bancos no crédito.

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