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Mutuários da CDHU poderão renegociar dívidas

A constatação de que 40% dos 245 mil mutuários da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) estão com mais de três parcelas atrasadas, relativas à aquisição da casa própria, levou ontem o presidente da empresa, Luiz Antonio Pacheco, a anunciar um programa de renegociação da dívida. O objetivo, segundo Pacheco, é recuperar um volume de R$ 72 milhões anuais ou R$ 6 milhões mensais que estão deixando de entrar nos cofres da CDHU para financiar novos projetos. Hoje, diz ele, a arrecadação gira em torno de R$ 120 milhões, mas o normal seria que fosse de R$ 190 milhões, já levando em conta uma taxa de inadimplência da ordem de 5%.Para sensibilizar os inadimplentes - aqueles com mais de três parcelas em atraso -, a CDHU está investindo R$ 2,8 milhões na campanha de renegociação da dívida, que contará com unidades móveis percorrendo o Estado e anúncios na mídia estadual, além do envio de cartas para aqueles que se encontram inadimplentes, com aviso da data e local que devem procurar para repactuar a dívida.Pacheco informou que alguns mutuários chegam a ter até 50 parcelas em atraso, embora a média seja de oito parcelas. A sua expectativa é a de que num universo de 100 mil mutuários em atraso, cerca de 90 mil aproveitem a oportunidade para repactuar suas dívidas. A idéia básica, segundo Pacheco, é calcular o saldo devedor, dividi-lo novamente e jogar para o fim aquelas parcelas não pagas até o momento. "Muitos deixam passar três, quatro, cinco parcelas e depois não conseguem com a renda que têm quitar a dívida", explicou.O valor das parcelas da CDHU varia, pelos cálculos de Pacheco, de R$ 27,00 a R$ 350,00 mensais. O investimento anual do Estado nos programas habitacionais de baixa renda é de R$ 600 milhões, somando repasse do governo e o total arrecadado com o pagamento de parcelas pelos mutuários. "Isso significa que poderíamos investir mais em habitação não fosse a inadimplência."DesempregoPesquisa realizada pela CDHU em agosto revelou que o desemprego foi apontado como causa do atraso nas prestações por 56,69% dos quase 100 mil mutuários inadimplentes. Já 12,47% apontaram a troca de emprego como o motivo principal e 7,43% a ocorrência de doença na família. As outras razões reveladas pela pesquisa foram: abandono do imóvel pelo marido (3,30%), separação judicial (2,51%), morte na família (1,94%), saída dos filhos da residência (1,52%) e abandono do lar pela mulher (0,17%).Pacheco acredita que o grande problema se dá quando três parcelas se acumulam e a renda do mutuário fica insuficiente para cumprimento de suas obrigações. "Por esse motivo, em vez de somar o valor dos atrasados e dividi-lo em novas parcelas a serem pagas com a principal, optamos, nessa nova ação, por jogá-las para o fim do contrato, dependendo do prazo da aquisição da casa própria."A CDHU também permitirá a exclusão de co-participantes que contribuíam para a renda familiar e não estão mais nessa condição. Terminado o prazo de renegociação, os mutuários em atraso serão executados judicialmente, segundo Pacheco.

Agencia Estado,

23 de outubro de 2001 | 10h16

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