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Na Amazon, eBook vende mais que livro de papel

Liderança em volume, porém, não se reflete em faturamento, uma vez que o preço do livro digital é baixo, comparado ao das edições tradicionais

, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2011 | 00h00

NOVA YORK

AAmazon informou ontem que suas vendas de livros digitais superaram a comercialização de edições tradicionais, em papel. A dianteira dos e-books sobre as obras em papel nas vendas da gigante da internet já é da ordem de 5%.

A Amazon, que não divulga dados específicos, disse apenas que, desde o dia 1.º de abril, para cada 100 livros tradicionais vendidos, 105 edições digitais foram comercializadas. As estatísticas incluem tanto edições de capa dura quanto em papel jornal e excluem obras oferecidas gratuitamente para download.

O fundador da Amazon, Jeff Bezos, destacou a rapidez com que a introdução dos leitores digitais conseguiu mudar o perfil do mercado. "Sabíamos que a liderança dos livros digitais ocorreria um dia, mas não imaginávamos que seria tão rápido. A Amazon vende livros há 15 anos, e o Kindle só existe há quatro", frisou o executivo.

Segundo dados da Associação Americana de Editores citados pelo Financial Times, as vendas de livros para o Kindle subiram 146% no acumulado de 2011, em relação ao mesmo período do ano passado. A entidade disse que a Amazon e outros sites de vendas online devem ser beneficiados pelo processo de falência da rede de livrarias Borders, nos Estados Unidos.

Faturamento. Apesar do barulho que a notícia gerou no mercado editorial, especialistas no setor dizem que os dados refletem apenas o volume vendido, e não o faturamento - muitas obras oferecidas online custam menos de US$ 1.

Nos Estados Unidos, as vendas de livros digitais somaram US$ 69 milhões em março, aponta o FT. Os livros de papel jornal tiveram receita de US$ 116 milhões, enquanto os de capa dura geraram US$ 97 milhões.

Nicola Solomon, secretário-geral da Sociedade de Editores da Inglaterra, afirmou ao jornal britânico The Guardian que o anúncio da Amazon não foi surpreendente. Já Neill Denny, chefe da editora Bookseller, disse que o dado não reflete sucesso financeiro. "É uma manchete interessante. Mas, em termos financeiros, não sei se a mesma lógica pode ser aplicada, uma vez que os ebooks ainda são vendidos a preços muito baixos."

Mais de 650 mil títulos digitais estão disponíveis para venda na Amazon.com - entre as obras mais vendidas em 2011 figuram O Porão, de Stephen Leather, que custa o equivalente a US$ 0,80.

Neill Denny afirma, porém, que o fato de o mercado digital não ter os custos atrelados à impressão em papel dá uma vantagem competitiva inegável aos ebooks. "Cada aparelho Kindle vendido é potencialmente um consumidor que o livro tradicional perde. Não dá para esconder esse fato", afirmou o editor ao The Guardian.

Kindle. A Amazon anunciou também que as vendas da nova versão "popular" de seu leitor digital Kindle superam as marcas atingidas pelas outras versões do aparelho.

A versão popular do Kindle, que lidera as vendas atualmente nos Estados Unidos, tem o preço sugerido de US$ 114. Para economizar US$ 25 em relação ao aparelho tradicional, o cliente concorda em receber mensagens publicitárias.

O Kindle lidera o segmento de e-readers. Estão nessa disputa o Nook, da Barnes & Noble, e o iPad, da Apple. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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