Jefferson Almeida/ Grupo Marfrig
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Na Amazônia, Marfrig avança em monitoramento do gado

Empresa identificou cerca de 5 mil fazendas como potenciais fornecedoras

Tânia Rabello, Isadora Duarte e Clarice Couto, O Estado de S.Paulo

06 de setembro de 2021 | 05h00

A Marfrig identificou quase 5 mil fazendas pecuárias no bioma Amazônia como potenciais fornecedoras de gado para a companhia, tanto as “diretas”, que entregam o boi gordo para abate, quanto as “indiretas”, que destinam bezerros e bois magros a propriedades de engorda. Deste total, 61%, ou 3.007, já contam com o controle de origem da empresa, a fim de garantir que os animais não passaram, em nenhuma etapa da vida, por áreas embargadas pelo Ibama, de conservação, indígenas ou com pendências socioambientais. Paulo Pianez, diretor de Sustentabilidade, conta que o levantamento considera dados de janeiro a julho, no âmbito do Programa Verde+, que pretende, até 2030, contar com uma cadeia produtiva 100% livre de desmatamento. “O trabalho continua, mas já estamos apresentando esses números para clientes no exterior”, revela.

Vários níveis

O programa considera cinco critérios de classificação: propriedades situadas em áreas de “risco muito alto” para desmatamento; de “risco alto”, de “risco médio”, “risco baixo” e “muito baixo”. “Uma consultoria de inteligência territorial, a Agroicone, mapeou essas fazendas a partir do cruzamento de dados oficiais, como os do IBGE, do Inpe e do Cadastro Ambiental Rural”, conta Pianez. Ele acrescenta que nenhuma das plantas da Marfrig na Amazônia opera em áreas de “risco muito alto”, mas podem receber gado proveniente de lá. “Daí a atenção maior sobre elas.”

Com lupa

Na verdade, apenas 24 propriedades estão na zona de risco muito alto, sendo que 18 delas tiveram controle de origem aprovado pela Marfrig – seja de fornecedores diretos ou indiretos. Entre as 169 fazendas mapeadas em regiões de “risco alto”, 61% já foram avaliadas pela companhia. A maioria, ou 3.190, está nas áreas de risco médio, baixo ou muito baixo. E, neste universo, 2.886 cumprem os critérios do Verde+, diz Pianez. “Essa análise será constante.”

Reforço estratégico

A partir de 2022, o agronegócio brasileiro deve contar com novo representante no exterior. O Ministério da Agricultura está escolhendo o primeiro adido do País para ocupar o posto em Berlim, na Alemanha. Ele se juntará aos outros 27 adidos que defendem os interesses agrícolas do Brasil lá fora. As entrevistas já foram feitas e o resultado da seleção será conhecido no dia 21. 

A ideia é que, a partir da Alemanha, o adido ajude na promoção internacional e na imagem do agronegócio brasileiro na União Europeia. “A Alemanha tem papel importante como interlocutor em questões ambientais e de sustentabilidade, temas que são caros ao Brasil”, diz Flávio Bettarello, secretário adjunto de Comércio e Relações Internacionais do ministério. Em estudo está a abertura de uma nova vaga. Mas ele ainda faz segredo sobre o local.

Novo bolso

A fintech Mycon, do grupo capixaba Coimex, lança neste mês seu primeiro consórcio para o agronegócio, voltado à compra de máquinas agrícolas, carros e caminhonetes de luxo. A ideia, diz Marcio Kogut, CEO da empresa, é suprir a demanda por crédito para tais finalidades, com cotas de R$ 250 mil a R$ 500 mil, mais altas que a média. “O setor em alguns casos só pode recorrer a bancos, com custo maior. Parte dos produtores já comprava por consórcio com juros de 20% (sobre o valor do bem) e conosco pagará 9,99%.”

Para valer

A investida sobre o agro vai incluir campanha em redes sociais e ações junto a cooperativas agrícolas e indústrias em todo o Brasil. O primeiro grupo deve ter mil participantes e já há planos para um segundo em 2022, do mesmo tamanho e finalidade, porém com cotas maiores, de R$ 1 milhão. Neste ano, dos R$ 2,5 bilhões em vendas estimados, 20% devem vir do setor. Em 2022, as vendas devem chegar a R$ 5 bilhões, com igual peso do agro nos negócios.

Planejamento

Kogut diz que os consórcios da Mycon têm taxa 50% menor porque a operação digitalizada dispensa representantes de consórcios convencionais. Tudo é feito pelo aplicativo, da simulação do valor da parcela até a contratação, um atrativo para um setor cada vez mais digitalizado. A amortização do consórcio de máquinas será em 84 meses (7 anos) e o crédito pode ser liberado por sorteio mensal ou lances. “O produtor sabe se planejar e quando precisará de uma máquina nova”, afirma.

Incentiva

A startup suíço-bielorrussa OneSoil, de monitoramento remoto de lavouras por satélites, quer expandir a área coberta no Brasil de 32% das terras agricultáveis para 50% em dois anos. Atualmente, a empresa opera em 17,9 milhões de hectares no País, atendendo a 52 mil produtores e consultores agrícolas. “A expectativa é transformar a maneira como o agricultor brasileiro monitora suas plantações com oferta de dados precisos”, diz Slava Mazai, CEO da empresa.

Global

A startup intensificou a atuação no País em 2020. Soja, milho e cana são as principais culturas monitoradas, especialmente no Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo. No mundo, a área coberta pela OneSoil abrange 90 milhões de hectares, equivalente a 6% de terras aráveis do mundo, com suas soluções digitais. São 300 mil usuários atendidos em 183 países.

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