Na Arábia Saudita, Lula 'destrava' negociações do Mercosul

Bloco econômico visa um acordo de livre comércio com as nações do Conselho de Cooperação do Golfo

Andrei Netto, enviado especial de O Estado de S. Paulo,

17 de maio de 2009 | 13h38

A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Arábia Saudita, a primeira de um chefe de Estado brasileiro ao país, "destravou" as negociações visando a um acordo de livre comércio entre o Mercosul e as nações do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC, na sigla em inglês). A afirmação foi feita pelo assessor especial da presidência, Marco Aurélio Garcia, neste domingo, 17, durante um encontro entre a delegação brasileira e líderes empresariais em Riade.

 

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"Um bem sucedido acordo entre o Mercosul e o Conselho de Cooperação do Golfo dará novo impulso ao nosso comércio bilateral", afirmou Lula. O presidente está na capital saudita acompanhado da primeira-dama, Marisa Letícia, e dos ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim, do Desenvolvimento e da Indústria e do Comércio, Miguel Jorge, e da Comunicação Social, Franklin Martins, além de Garcia.

 

Neste domingo, Lula almoçou com empresários sauditas na sede da Câmara de Comércio e Indústria de Riade. Em pronunciamento, o presidente reforçou a intenção de estimular as trocas comerciais entre os dois países - que já tiveram um aumento superior a 70% em 2008, comparado ao ano anterior. Ele destacou ainda a necessidade de avanços nas negociações entre o Mercosul e o GCC.

 

O presidente disse ainda que as companhias brasileiras podem aproveitar oportunidades de negócios na indústria petrolífera, na mineração, na engenharia e nos agronegócios, entre outros setores. "Uma nova era começa nas relações entre a Arábia Saudita e o Brasil."

 

Os contatos políticos e econômicos mais importantes da visita foram realizados na noite de sábado, quando o presidente foi recebido para um jantar pelo rei saudita Abdullah bin Abdulaziz al Saud. As conversas entre os chefes de Estado aconteceram durante o banquete e logo a seguir, em uma reunião bilateral programada para durar 10 minutos, mas que acabou consumindo meia hora a mais.

 

América Latina

 

Segundo Garcia, o presidente e o rei discutiram a atualidade política da América Latina, conversaram sobre suas primeiras impressões a respeito do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e trocaram elogios sobre o processo de paz entre Israel e Palestina.

 

Em meio a estes assuntos, Lula e o rei Abdullah abordaram as negociações para o estabelecimento do acordo de livre comércio entre a Arábia Saudita, o Catar, o Kuait, os Emirados Árabes Unidos, Omã e o Bahrein, as seis nações do GCC, e o Mercosul. O tema já havia sido objeto de debate durante o encontro entre o brasileiro e o secretário-geral do bloco, Abdul Rahman al Attiya, no início da noite de sábado.

 

"Este assunto foi destravado. Agora soltamos os freios de mão", definiu Garcia, referindo-se à resistência de companhias do meio petroquímico latino-americano em abrir seu mercado para a competição com as empresas árabes, cujo know how e a competitividade no setor são elevados. "Acho que com a Venezuela não haverá problemas, nem mesmo com a Argentina."

 

De acordo com o assessor especial da presidência, a ordem é para que as negociações visando à queda de tarifas alfandegárias avancem de forma a evitar a concorrência predatória e preservar companhias latino-americanas e árabes. Uma das soluções cogitadas, segundo Garcia, é a criação de joint ventures entre a Petrobras e empresas brasileiras e sauditas. "O presidente foi explícito em afirmar que quer uma cooperação na indústria petroquímica."

 

Entretanto, a retomada dos diálogos não resultou na criação de um calendário para as negociações futuras. A criação da área de livre comércio foi aberta na primeira Cúpula América Latina-Países Árabes, em 2005, e reforçada em março, na segunda cúpula, realizada em Doha, no Catar.

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