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Na Argentina, mudança anima indústria

Promessa de fim às restrições cambiais e às importações dão esperanças às empresas, mas ainda há dúvidas sobre como economia vai reagir

Rodrigo Cavalheiro/ CORRESPONDENTE EM BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2015 | 21h00

O iminente fim do controle sobre o câmbio e a redução progressiva da restrição às importações na Argentina, promessas do presidente eleito, Mauricio Macri, agradam grandes empresários e exportadores, mas preocupam quem duvida da competitividade local. Em 12 anos, o kirchnerismo estimulou o consumo interno e apostou na substituição de produtos estrangeiros.

Este é o quadro na indústria em geral e na automobilística em particular, bem como na agricultura. Dentro da União Industrial Argentina (UIA), por exemplo, as áreas têxtil, de calçados e metalurgia são as mais atentas aos efeitos que uma desvalorização brusca pode provocar. O kirchnerismo impôs em 2011 o controle sobre a moeda americana, diante da queda no volume de reservas no Banco Central, hoje em US$ 25,8 bilhões.

“Há uma expectativa de como o país se recuperaria de um choque e alguns setores ainda esperam saber se terão políticas específicas”, disse o economista chefe da UIA, Diego Coatz. Para ele, o futuro ministro da Fazenda, Alfonso Prat-Gay, é consciente do papel das pequenas e médias empresas. “Não é um ministro dos bancos”, avaliou.

Na relação com o principal país vizinho, Coatz vê como problema, mais que a defasagem cambial argentina, a recessão brasileira, que tem impacto no comércio. “Não podemos ser ingênuos e importar a crise do Brasil. É preciso ter uma divisão pactuada do mercado. Numa situação de recessão, é melhor dividir as perdas que entrar numa competição descontrolada”.

Na quarta-feira, executivos das principais montadoras argentinas debateram a situação do setor e perspectivas para o primeiro ano de Macri. “Podia ter sido pior. Conseguimos aumentar o consumo interno, mas o grande desafio segue sendo o Brasil. Dependemos disso para manter a estrutura de produção”, disse Isela Costantini, presidente da General Motors, cotada para a presidência da Aerolíneas Argentinas com Macri.

Ela se disse otimista com a mudança de governo, mas ressaltou que “será preciso superar um período difícil que levará pelo menos seis meses”. Presidentes de outras companhias concordaram e previram melhora a partir do fim de 2016. Também citaram a necessidade de focar nos mercados mexicano e europeu. “É preciso ter alternativa ao Brasil quando voltarmos a ser competitivos”, disse o presidente da Fiat, Cristiano Ratazzi.

O presidente da Sociedade Rural Argentina, Luis Etchevehere, que representa grandes produtores, está confiante em uma boa relação entre o público e o privado. Macri promete retirar as taxas de exportação sobre os cultivos, exceto a soja – principal fonte de dólares do país.

Na Federação Agrária, que representa os pequenos produtores, há prudência. “É uma incógnita. O fim das taxas deve aumentar a renda que era nula em certos cultivos”, disse o secretário de coordenação Carlos Baravalle. Segundo ele, o kirchnerismo tirou da terra 90 mil produtores. Restaram 240 mil.

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