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Na Argentina, dólar sobe 13% com alta de imposto

Câmbio informal reflete cobrança de 30% sobre compras feitas no exterior na moeda americana; pacote econômico deve sair hoje

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2019 | 04h00

O dólar no mercado informal disparou na segunda-feira, 16, na Argentina após o governo anunciar que passará a cobrar um imposto de 30% sobre compras no exterior em dólar. Segundo a imprensa local, a moeda americana – que subiu 13% e encerrou o dia valendo 71,50 pesos no mercado paralelo – quase não era negociada nas ruas de Buenos Aires nesta segunda. Vendedores seguravam os dólares que tinham n a expectativa de que haja uma valorização ainda maior nos próximos dias. Com a nova alíquota, o dólar turismo, vendido oficialmente, chegou a 82 pesos.

Durante todo o dia, havia a expectativa de que o governo de Alberto Fernández anunciasse um pacote de medidas para tentar estimular a economia, que está em seu segundo ano de recessão. O projeto, no entanto, não ficou pronto a tempo e deverá ser divulgado hoje e discutido no Congresso ainda esta semana.

De acordo com os jornais argentinos, entre as políticas que deverão der adotadas, está prevista a redução do preço de medicamentos em 8% e a manutenção desses preços até fevereiro. A medida, que foi negociada com a indústria farmacêutica, deve beneficiar principalmente os aposentados.

Ainda entre os projetos discutidos, está um aumento nas aposentadorias e um alongamento no prazo de pagamento das dívidas das pequenas e médias empresas.

Como o governo já havia anunciado no fim de semana, também haverá um aumento no imposto para a exportação de produtos agrícolas, como soja e trigo. Segundo o ex-embaixador Rubens Barbosa, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), a elevação das alíquotas não deve ter impacto no Brasil. “Esse imposto não costuma ser repassado para o preço final do produto.”

Quando a ex-presidente e atual vice-presidente, Cristina Kirchner, adotou medida semelhante, muitos agricultores deixaram de produzir trigo e aumentaram o cultivo de soja, que tem custos de produção mais baixos.

No setor de turismo, no entanto, há a possibilidade de que o pacote econômico de Fernández tenha impactos negativos no Brasil. Em Florianópolis, um dos principais destinos de verão dos argentinos, a expectativa é de nova baixa no número de turistas neste ano.

“Tudo que dificulta a saída dos argentinos do país deles é ruim para nós. E já vínhamos tendo sinais de que eles não viriam muito neste ano por causa da crise e da desvalorização do peso,”, disse o presidente da Federação de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Santa Catarina, Estanislau Bresolin.

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