Na Argentina, inflação da oposição foi de 1,57%

Em maio, Índice do Parlamento, que começou a ser calculado há dois anos, foi mais que o dobro do indicador oficial divulgado pelo Indec

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE BUENOS / AIRES, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2013 | 02h07

Os partidos da oposição anunciaram que a inflação de maio na Argentina foi de 1,57%. O total acumulado nos primeiros cinco meses deste ano no denominado Índice Parlamento foi de 8,7%, enquanto que nos últimos 12 meses o indicador alcançou 23,39%.

Esse índice é elaborado pela média dos cálculos sobre a inflação estimada pelas principais consultorias econômicas do país. O cálculo paralelo começou há dois anos como forma de oferecer à população uma estimativa alternativa ao índice preparado pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), organismo sob intervenção do governo Kirchner desde 2007.

O índice elaborado pelo Parlamento e os economistas duplicou os números anunciados pela Casa Rosada. Segundo o Indec, cujo índice é acusado de intensa manipulação desde dezembro de 2006, a inflação de maio foi de apenas 0,7%. O total acumulado nos primeiros cinco meses deste ano teria sido de 3,8%. Nos últimos 12 meses, segundo o índice oficial de inflação, a alta de preços teria sido de 10,3%.

A inflação oficial acumulada desde 2003, ano da posse de Nestor Kirchner, é de 98,7%. No entanto, a alta de preços real, calculada pelos economistas, no mesmo período, é o dobro, de 201,8%.

Os analistas destacam que a inflação continuou subindo - tanto no índice oficial como no extraoficial - apesar do congelamento dos preços de 12.500 produtos de supermercados, imposto pelo governo da presidente Cristina Kirchner entre o dia 1.º de fevereiro e 31 de maio. Desde o dia 1.º de junho está em vigência um congelamento parcial, de 500 produtos, enquanto que os 12.000 restantes estão dentro de um controle de preços que serão liberados de forma gradual com a autorização prévia do governo ao longo dos próximos meses.

O governo Kirchner calculou no orçamento que a inflação de 2013 será de 10,8%. No entanto, as consultorias estimam uma alta que duplica as estimativas oficiais, com um índice que superaria os 25%. Mas a população argentina - segundo pesquisa da Universidade Di Tella sobre expectativas inflacionárias - tem uma percepção de que a alta de preços será de 34,9% para os próximos 12 meses.

Repressão. O governo Kirchner, ao longo da última meia década, demitiu dezenas de técnicos que se recusaram a falsificar os dados sobre a inflação. Antes da intervenção do Indec todas as províncias argentinas tinham cálculos sobre a inflação de seus respectivos territórios. Esses cálculos, que costumavam ser similares aos do Indec, eram divulgados pelo governo federal. Mas, a partir de março de 2008, com as substanciais divergências com os números do Indec, o governo deixou de publicar os índices provinciais. Pressionadas pela Casa Rosada, quase todas províncias deixaram de elaborar seus números. Somente as Províncias de San Luis, La Pampa e Tierra del Fuego continuam preparando seus cálculos de inflação. Além disso, desde abril, o governo do distrito federal (a cidade de Buenos Aires), também elabora um índice próprio, em desafio aberto à presidente.

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