Na Argentina, oposição 'dá uma banana' para a nota de 200 pesos

Nem quando o kirchnerismo rompe com a própria essência e recua numa discussão há consenso na política argentina. Parlamentares governistas aceitaram negociar a emissão de uma nota de 200 pesos, uma vez que a inflação obriga os argentinos a andar com as carteiras cheias de cédulas de 100 pesos, sem que isso signifique pujança.

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2015 | 02h06

O nome do ex-presidente da União Cívica Radical (UCR) Hipólito Yrigoyen (1916-1922 e 1928-1930) foi mencionado para dar cara à nota, mas a oposição não quer que o homenageado seja um dos seus. A ala jovem da UCR, histórica rival do peronismo (do qual o kirchnerismo é uma corrente), respondeu no Twitter à sugestão com uma montagem do político em questão e a mensagem: "Obrigado, mas a inflação é de vocês".

Inflação de 25%. Embora o deputado kirchnerista Carlos Kunkel admita a necessidade de uma nova cédula, não reconhece a razão de sua existência, a inflação.

"Com uma nota de 200 pesos, economizaremos em impressão e circulação do dinheiro. Dará mais conforto à população", sustentou em uma sessão esta semana. O país estima em 15% o reajuste anual de preços, enquanto consultorias privadas indicam que chega a 25%. O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê uma taxa de 26,4% para 2016.

Nota de 1.000 pesos. Há anos a oposição sugere a emissão de notas de 200, 500 e até 1.000 pesos. Uma nota de 100 pesos (R$ 40) é suficiente para ir ao cinema em um shopping de Buenos Aires. Estima-se que 65% de todas notas em circulação no país sejam de 100 pesos, cujo poder de compra é dos mais baixos do mundo (US$ 10 segundo o câmbio oficial e US$ 6 no paralelo).

Para manter a capacidade de consumo que a maior cédula argentina tinha há 15 anos, seria necessário uma nota de 1600 pesos (R$ 636).

65%

de das notas em circulação são de 100 pesos, que valem pouco

US$ 10

é o valor dela n

o câmbio oficial

US$ 6

é o valor pelo câmbio paralelo

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