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Na Argentina, soja avança sobre área de milho

A área plantada com soja na Argentina em 2013/14 deve crescer 200 mil a 500 mil hectares, conforme as primeiras projeções. O plantio da safra da oleaginosa começa no final de outubro e, se confirmada a área, pode resultar em até 54 milhões de toneladas, um recorde. O volume superaria a produção obtida em 2009/10, de 52,7 milhões/t, a melhor ate agora, de acordo com o Ministério de Agricultura. Como no Brasil, o produtor argentino vai ampliar a lavoura de soja sobre áreas de milho, considerando o menor custo de produção da oleaginosa e a maior liquidez do grão. Além disso, na Argentina o preço interno controlado do milho e a restrição às exportações desestimulam o investimento no cereal.

MARINA GUIMARÃES, CORRESPONDENTE, Agencia Estado

12 de setembro de 2013 | 12h36

"Está acontecendo com o milho o mesmo que ocorreu com o trigo: o produtor vai deixando de plantar e parte para o soja, porque tem menos intervenção oficial e melhores margens de lucro", disse ao Broadcast Gustavo López, diretor da consultoria Agritrend. Segundo ele, a expansão em 500 mil hectares da superfície da soja elevaria a área para 20 mil hectares no atual ciclo.

López ponderou que a projeção é prematura porque o país começa a sofrer com falta de umidade. Os cultivos de trigo estão afetados em várias regiões produtoras, com uma forte carência de chuvas, e a implantação do milho está atrasada. "A situação da umidade é muito limitada e é preciso esperar mais um pouco para confirmar as projeções", ressaltou.

Segundo a Bolsa de Comércio de Rosario, em 2012/13 a Argentina cultivou de 19,1 a 19,2 milhões de hectares com soja. "Neste ano, ficaremos entre 19 milhões de hectares, na estimativa mais conservadora, e 20 milhões de hectares, na mais otimista", disse Guillermo Rossi, analista da bolsa. Ele também avalia que o avanço da soja se dará sobre o milho. Mas, enfatiza, uma melhor análise sobre a intenção de plantio na Argentina poderá ser feita nas próximas semanas, quando o plantio de milho estará mais avançado. Rossi acredita que após as chuvas esperadas para o próximo final de semana os produtores devem acelerar a implantação das lavouras do cereal.

O analista da Bolsa de Rosario aponta as dificuldades financeiras do setor produtivo como um entrave para a expansão do plantio de grãos no país. "Em Salta, por exemplo, que se encontra a 1.600 quilômetros de distância do porto, o produtor não vai plantar nem milho nem soja porque tem perdas", disse.

O presidente da Associação de Soja (Acsoja), que reúne toda a cadeia da oleaginosa, Miguel Calvo, confirmou que haverá a migração de uma parte da superfície de milho para a soja, mas suas estimativas são mais conservadoras. "Para mim, é mais possível um aumento de 200 mil hectares que de 500 mil ha." Calvo atribui à estiagem dos últimos dois anos no norte do país o comportamento mais retraído do agricultor, que não pretende correr riscos. Assim, a expansão da soja se dará em outras áreas. "Como a rentabilidade tem caído acentuadamente (preços entre US$ 40 e US$ 50 menores que no ciclo passado) e a seca é persistente no norte, acreditamos que a superfície com soja vai ser menor nesta região. A dúvida que existe é como terminará o número final da superfície com soja", acrescentou Calvo.

Nos últimos dias faz calor na Argentina, com as mais altas temperaturas dos últimos 64 anos para esta época. Segundo Calvo, além do risco climático, o produtor argentino sofre com um cenário de incertezas políticas e pela baixa rentabilidade. A Argentina realizará eleições parlamentares em outubro próximo, que definirão o futuro político de Cristina Kirchner, impedida pela constituição de disputar um terceiro mandato. As primárias eleitorais realizadas em agosto apontaram uma derrota do kirchnerismo, que não conseguiria o quórum qualificado para realizar uma reforma constitucional. Porém, o mandato dela só expira em 2015. Até lá, continuará a tensão entre o setor produtivo e o governo.

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