Na ata, BC mantém 'cautela e vigilância'

Texto foi interpretado como sinal de que a Selic continuará a subir com altas de 0,25 ponto, o que contrasta com declaração de diretor

EDUARDO CUCOLO , CÉLIA FROUFE / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2013 | 02h04

O Banco Central vê sinais de retomada do crescimento e seus diretores concordam, de forma unânime, que é necessário elevar os juros para neutralizar os riscos para a inflação, especialmente de 2014. A autarquia, no entanto, reafirmou ontem que a política monetária deve ser administrada com cautela, o que foi interpretado pela maioria dos analistas como sinal de que a taxa básica continuará a subir em um ritmo de 0,25 ponto porcentual.

A avaliação do BC faz parte da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada ontem. No documento, a instituição explica por que decidiu elevar os juros, na semana passada, de 7,25% para 7,5% ao ano, por seis votos a dois.

Algumas horas depois, o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton, disse que cresce nele "a convicção de que o Copom poderá ser instado a refletir sobre a possibilidade de intensificar o uso do instrumento de política monetária". O mercado entendeu a frase como aumento maior de juros.

Na ata, o BC disse que a política monetária deve se manter "especialmente vigilante" em momentos como o atual. Com isso, é possível diminuir os riscos de que níveis elevados de inflação, como nos últimos 12 meses, persistam. A inflação nesse período atingiu 6,59% até março, acima do teto da meta definida pelo governo, de 6,5%.

Crescimento. Sobre a expansão do Produto Interno Bruto (PIB), a avaliação é de que o ritmo da atividade se intensificou no primeiro trimestre, apesar das limitações de oferta de produtos e serviços. O BC diz ainda que o andamento da economia está mais próximo do potencial de crescimento. O crescimento potencial é aquele no qual o País cresce sem gerar inflação.

Logo após a divulgação do documento, o economista-chefe do Espírito Santo Investment Bank (Besi Brasil), Jankiel Santos, afirmou que a ata traduziu a serenidade dos diretores do BC, indicando que não há desespero para elevar juros. "Os diretores só tomaram a decisão de elevar a Selic para não afetar 2014. É mais uma ação preventiva. Eles até têm algumas dúvidas em relação ao cenário, mas preferem não esperar que elas se concretizem." Jankiel fez questão de salientar que não concorda com o Copom. Para ele, o BC deveria ter aumentado os juros há mais tempo.

Gastos. Na avaliação de Luciano Rostagno, estrategista-chefe do banco WestLB Brazil, o BC voltou a criticar a política de gastos públicos, conduzida pelo governo. "Alguém poderia dizer que o BC está até avaliando a possibilidade de que a relação dívida/PIB do País interrompa a queda, uma tendência que vem acontecendo na maior parte da última década."

A economista e sócia da Tendências Alessandra Ribeiro avaliou que uma piora no cenário externo pode fazer com que o ciclo seja mais curto que o previsto. "Eles continuam avaliando que as maiores incertezas advêm do cenário externo, e claramente houve uma melhora na avaliação quanto ao cenário interno." Já a LCA Consultores assinalou que o ritmo de elevação da Selic poderá ser acelerado "caso continuem a ser observados resultados de inflação mais salgados do que se antecipa". / COLABORARAM FRANCISCO CARLOS DE ASSIS E BEATRIZ BULLA

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