Na Barão, mercado se oferece ao desempregado

A rua Barão de Itapetininga, no centro de São Paulo, é o endereço mais procurado por quem busca um emprego. Além da grande quantidade de agências de empregos, há um mercado paralelo de atividades, como as lojas de cópia que anunciam promoções para quem quer imprimir currículos, além dos tradicionais plaqueiros, que passam o dia envoltos por placas com anúncio de vagas. São senhores na faixa dos 70 anos que aguentam uma jornada diária de oito horas para receber no fim do mês um salário mínimo.Janeiro costuma ser mais tranquilo na Barão, mas com o aumento das demissões no País a quantidade de pessoas que passa pela região à procura de trabalho começa, ainda timidamente, a apresentar um movimento atípico, segundo quem acompanha o dia a dia da rua.Clodoaldo Amorim Cantanhede, de 18 anos, era um desses candidatos a um emprego. Antes de completar os três meses de experiência numa loja de venda de celulares, foi demitido. Ele foi cortado no dia 6 de janeiro."Sem carteira assinada é fácil demitir. E a gente nem tem direito a reclamar. Não me pagaram nem o salário do mês", queixa-se.Enquanto Cantanhede espalhava o currículo pelas caixinhas que ficam aos pés dos plaqueiros, Luiz Antonio Vieira oferecia 20 vagas temporárias para ajudante de pedreiro. "Eles são contratados por 90 dias. Se a empresa precisar, contrata por mais 90. Com sorte o camarada por ser efetivado", dizia enquanto distribuía folhetos a quem passava.

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