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Na Bélgica, Lula defende ajuste fiscal realizado em 2003

Diante de três dezenas de empresários belgas e brasileiros, reunidos em um seminário sobre oportunidades de investimentos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lembrou hoje, em discurso, a responsabilidade com o ajuste fiscal que assumiu já no início de seu mandato. Em meio a discussões entre o Banco Central e o Ministério da Fazenda sobre os aumentos de despesas assumidos pela União este ano e seus reflexos na inflação, Lula afirmou que fez, em 2003, o "maior ajuste fiscal da história desse País".

LISANDRA PARAGUASSÚ, ENVIADA ESPECIAL, Agencia Estado

05 de outubro de 2009 | 19h10

"O Brasil estava preparado nessa crise porque nós fizemos sacrifícios. Em 2003 eu fiz o maior ajuste fiscal da história deste País. Eu duvido que um economista daqueles bem tradicionais tivesse a coragem de fazer o ajuste fiscal que eu fiz. E eu fiz com a convicção que precisaria trocar o meu capital político para consertar o Brasil", afirmou.

Enquanto defendia o seu ajuste fiscal em Bruxelas, o presidente tem à sua espera no Brasil necessidade de arbitrar a discussão entre o Banco Central e a Fazenda. No último Relatório Trimestral de Inflação, divulgado há cerca de dez dias, o BC considerou que a política recente de desonerações fiscais para enfrentar a crise econômica e o aumento de gastos do governo tiveram impacto na projeção de inflação para 2010, que subiu de 3,9% para 4,4%. A avaliação irritou o Ministério da Fazenda. Para o ministro Guido Mantega e seus assessores, ela fragilizou a posição do governo e deu à oposição um arma para criticar a política econômica.

Na Bélgica, entretanto, vendendo o Brasil como destino seguro para investimentos, o presidente Lula afirmou que a crise financeira já passou pelo País e causou apenas uma "pequena recessão". "Hoje, passados alguns meses da crise, posso dizer a vocês que o Brasil está sólido. Este ano vamos ter crescimento. A economia brasileira não vai crescer mais porque do mês de outubro (de 2008) até fevereiro os empresários se deixaram impressionar pelas manchetes dos jornais e meteram o pé no breque", disse.

A Bélgica foi o primeiro país em que Lula começou a vender a ideia de que o Brasil tornou-se um País ainda mais atraente para investimentos porque vai sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. O mais importante, porém, avaliou, é que o Brasil tem hoje uma economia sólida e diversificada. "Não é possível que um País que tem a terceira maior fábrica de aviões do mundo, que inclusive fabrica o avião em que sua majestade (o rei Alberto II da Bélgica) anda, seja vendido só com as favelas do Rio de Janeiro, carnaval e futebol", disse.

Depois de ouvir do ministro belga das Relações Exteriores, Yves Leterman, que tinha razão e que a crise no Brasil havia sido uma "marolinha" - palavra dita pelo ministro em português, em um enorme esforço para fazer a pronúncia correta -, Lula riu e, em seu discurso, afirmou que a "marolinha" tinha sido um pouco maior. No entanto, garantiu, sempre soube "que em algum momento a crise teria que se afastar" e ela serviu de ensinamento.

"O mercado financeiro tem que ser regulado. Não podemos admitir, enquanto governantes, que o sistema financeiro ganhe dinheiro sem financiar um lápis, um sapato. Hoje eu vou a uma reunião com o presidente Barack (Obama, dos Estados Unidos), com o (Nicolas) Sarkozy (presidente da França, (Angela) Merkel (chanceler alemã) e todos estão preocupados em regular o sistema financeiro. No Brasil ele já era regulado. Nós nunca abrimos mão do poder de regular", disse.

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